Desafio 21 dias para repensar sua carreira

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Você sabe o que é coaching? Isso funciona mesmo? O que acontece em uma sessão?

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10 dicas para você alcançar seus objetivos de ano novo – ainda esse ano!

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8 cursos para empreendedores não convencionais

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25 pequenas coisas que consegui mudar na minha vida quando saí do mundo corporativo

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Como eu fiz para desacelerar

Como eu fiz para desacelerar

Sócrates já dizia: “Cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais.”

Digamos que esse post foi feito bem devagar, porque foi resultado de uma busca minha (que ainda continua) ao longo dos últimos dois anos. E ela sempre continua, seja por conta da pressão do meio externo ou porque eu tenho uma tendência a me acelerar sozinha, sem perceber.

Acho importante dizer que moro em São Paulo, então você deve estar pensando agora que esse é realmente um desafio – e tem razão! Além disso eu trabalhei em uma consultoria estratégica por 7 anos e esse é um ramo onde é normal trabalhar muitas horas diárias e finais-de-semana. Até que chegou um ponto que meu corpo começou a reclamar, eu que nunca fui de ficar muito doente de repente comecei a ter várias doenças, de labirintite a pneumonia, algumas ao mesmo tempo, e crises de ansiedade em uma base diária. Então pensei, uau, eu só tenho 33 anos, se eu continuar assim não vou viver até os 50! Me vi obrigada a desacelerar.

E eu não sou a única, segundo o professor Antônio Cândido:

 

“Tempo não é dinheiro.”

 

Se você tem vergonha de admitir isso porque acha que é coisa de preguiçoso, saiba que tem um movimento mundial de pessoas que também querem isso. O Movimento Slow começou na Itália em 1986, através do Movimento Slow Food, que era contra os valores e hábitos do fast food. Desde então e graças a Deus o conceito se expandiu para diversos outros aspectos da vida, como hábitos, cidades, consumo, saúde, trabalho, relacionamentos, vida familiar, e por aí vai. Basicamente a ideia é que a gente pare de valorizar essa cultura doida da velocidade em que vivemos, a cultura da forçação de barra, em que tudo é pra ontem mesmo que não seja, quem é ocupado que é importante, a gente não consegue mais esperar por nada, quem faz algo mais devagar é desvalorizado e a gente nem para pra pensar em mais nada, e dê lugar ao ritmo natural de cada um e da vida, ao equilíbrio, ao pensado, ao bem-feito, ao cuidado e à qualidade. Aliás, por que estamos com pressa agora mesmo – ou vai dizer que aí dentro você não está com aquela sensação de pressa?

Seu defensor mais conhecido é Carl Honoré, que esteve em São Paulo em uma palestra sobre o tema na Aliança Francesa em abril. Seu livro Devagar virou a bíblia do Movimento e ele nos lembra que

 

“Viver com pressa não é realmente viver, é apenas sobreviver.”

 

Eu e a maior parte das pessoas quando eu falo no Movimento Slow pela primeira vez acham graça, porque a ideia de ter um movimento para falar disso parece de fato inusitada. Mas a verdade é que se fosse tão simples já teríamos feito. Talvez inusitado seja o fato de que

 

A gente valoriza as pessoas que não têm tempo e não damos valor para aquelas que dão atenção.

 

Ou ainda o fato de haver tanta gente abdicando da saúde para ganhar cada vez mais dinheiro, mas isso a gente acha normal.

E por falar no mundo do trabalho, ele é o principal responsável por nos programar para ter um ritmo tão acelerado. Quando trabalhava no mundo corporativo, em muitas situações ficava me perguntando por que tanta pressa. Por que não pode ser pra amanhã, ou depois? Que diferença faz? Ou vai dizer que você nunca teve que gerar aquela entrega pra ontem que não precisava ser para ontem? Se pararmos para pensar, acho que a maioria das nossas entregas no trabalho não precisavam ser tão urgentes, podiam esperar mais um dia ou uma semana.

Isso me faz pensar até que ponto nossa pressa é uma necessidade ou uma escolha nossa. Não só no trabalho, mas em tudo na vida. Eu pelo menos me pego correndo com coisas que de repente eu paro pra pensar e ops… por que eu to correndo com isso mesmo? Tem um tigre na minha frente pra me morder?

Acho muito interessante a análise de Tim Ferriss, escritor americano, associando esse excesso de velocidade à preguiça:

 

“Desacelere e lembre disso: a maioria das coisas não faz diferença. Ocupar-se muito é uma forma de preguiça – preguiça de pensamento que gera ações descuidadas.”

 

Sendo a pressa uma escolha nossa, eu escolho desacelerar. Desacelerar não é ser lerdo, é escolher quando ir rápido e quando ir devagar. É raciocinar sobre a velocidade que estamos imprimindo às nossas atividades e à nossa vida. Quero ter mais tempo para cuidar de mim, levar a vida de forma mais equilibrada, estar presente em cada momento, parar de sacrificar amizades porque não as vejo, apreciar os pequenos momentos da vida e até mesmo pra trabalhar melhor, fazendo qualquer coisa bem feito. Afinal, produzir muito não significa produzir bem. As coisas mais belas da vida acontecem devagar.

Mas eu sou uma pessoa muito prática. Sempre quero saber afinal como colocar as coisas em prática, sempre quero o passo-a-passo, saber o que quem conseguiu fez para poder avaliar como aplicar aquilo pra mim. Então não poderia terminar esse post sem falar: o que afinal eu fiz para desacelerar? Como esse é um trabalho in progress, tem ações que eu já faço…

  • Criar um trabalho mais tranquilo: Os fatos que contei no início desse post aconteceram cerca de um ano depois que comecei a repensar minha carreira (história que eu conto em outro post: Como eu percebi que estava na hora de repensar minha carreira), então já estava me programando para fazer minha transição e esses eventos só aceleraram o processo.
  • Trocar dirigir por caminhar: Isso não é tão difícil pra mim porque detesto dirigir, acho uma perda de tempo e de energia incríveis – segundo o Estadão, um paulistano passa em média 45 dias do ano dirigindo. Por outro lado adoro caminhar, sou capaz de sair de casa só pra caminhar e observar as ruas perto da minha casa – e olha que moro em Perdizes, um bairro de São Paulo que basicamente não tem nenhuma rua que não seja ladeira. Então eu tento fazer tudo perto da minha casa ou a uma distância que possa ir só de metrô.
  • Se mudar para perto do trabalho: Na verdade eu trouxe meu trabalho para perto de mim, o que era possível já que em minha nova carreira virei autônoma. Mas como sei que isso não é possível para a grande maioria das pessoas, sugiro avaliar se mudar para perto do trabalho se isso for viável.
  • Ficar offline por um dia por semana: Passar um dia com pessoas, livros, parques, buscar intencionalmente atividades que não me dêem vontade de ficar no celular.
  • Fazer uma coisa de cada vez: Eu sempre achei muito chato ficar no celular enquanto estava almoçando com meus colegas de trabalho, mas embora eu não fizesse isso, nunca os culpei porque percebo que nossa tendência é fazer várias coisas ao mesmo tempo sem perceber. O que tenho feito é expandir essa sensibilidade para outros momentos da minha vida.
  • Trocar digitar por escrever: Comprei caderninhos para escrever. Tenho um caderninho para cada cliente no meu trabalho de coaching e um para levar na bolsa e anotar quaisquer ideias que tenho de repente no meio da rua, fazer listas, anotar frases de livros, desenhar esquemas para workshops, e até escrever posts do blog!
  • Ler mais livros: Tento ler uma hora por dia todos os dias da semana, coisa que AMO fazer!
  • Cuidar de uma planta: Vindo de alguém que todas as plantinhas que teve até 6 meses atrás haviam morrido sem água ou com excesso de água, isso é um grande passo!
  • Fazer as refeições na mesa de jantar: Antes quando estava em casa, fazia absolutamente todas as refeições na bancada da cozinha americana ou no sofá mesmo assistindo TV ou até trabalhando, agora tento comer sempre na mesa de jantar. E faço isso mesmo que esteja sozinha em casa. Isso parece bobagem para muitas pessoas, mas percebi que reduzo minha tendência a fazer outras coisas enquanto me alimento se fizer isso na mesa de jantar.
  • Não tomar decisões por impulso: Sempre que possível não tomo decisões importantes de repente, percebo que não costumo ser bem-sucedida em minhas decisões por impulso. Tento sempre esperar uma boa noite de sono. E faço isso até para algumas decisões que não são tão importantes, como comprar uma roupa. Se eu vejo algo que gosto e tenho vontade de comprar, vou embora, espero o dia seguinte, e se eu ainda lembrar que aquela roupa existe e ainda tiver a mesma vontade de comprar, eu volto lá e compro.
  • Colecionar momentos, não coisas: Quanto tempo meu custa cada coisa que eu compro? Como valorizo muito o meu tempo, quando comecei e pensar nisso deixei de ter vontade de comprar muitas coisas. Sobre isso recomendo um documentário muito legal no Netflix, chamado Minimalism.
  • Reduzir o ritmo de trabalho e de consumo: Grande parte de minha agitação vem de um estado de ansiedade devido a necessidade de acumular coisas. Mas para ter cada vez mais coisas precisava trabalhar cada vez mais. Estou tentando reduzir essa cobrança reduzindo o ritmo de consumo para que possa reduzir o ritmo de trabalho também.
  • Fazer atividade física: Mas tive que achar uma (na verdade, duas) que eu realmente gostasse, porque academia de ginástica não é muito a minha cara. Hoje faço krav maga e corro meia maratona. Devagar, mas corro. rs Por incrível que pareça a atividade física me desestressa e faz com que eu fique mais relaxada. Já tiveram situações em que eu estava muito agitada ou estressada e resolvi correr ou treinar fora de horário só pra me acalmar.

… e ações que ainda estou tentando fazer:

  • Simplesmente fazer as coisas mais devagar, parando para pensar naquilo que estou fazendo: Como já disse antes, minha cabeça muito agitada fica pensando em dez coisas que preciso fazer enquanto estou fazendo outra, então esse ainda é um desafio pra mim.
  • Aprender a meditar: Isso tem a ver com o item anterior, estou tentando aumentar minha presença no momento atual aumentando meu nível de consciência do aqui e agora, usando para isso técnicas de mindfullness que é um tipo de meditação.

 

E você, o que vai fazer a partir de hoje (sim, hoje!) para desacelerar?

 

“A vida está acontecendo aqui e agora. E apenas ao se acalmar você poderá vive-la ao máximo.”

Gustavo Ranieri para Vida Simples

 

Se você quiser migrar para um trabalho que te permita uma vida mais tranquila, posso te ajudar nisso. Sou coach de carreira e ajudo pessoas a encontrarem e migrarem para um trabalho mais alinhado com seus valores. Você pode conhecer melhor meu trabalho pelo meu site e pela página no Facebook.

Mitos sobre mudança de carreira

Mitos sobre mudança de carreira

Mito 1: Mudar de carreira é só para quem tem dinheiro
Muitas pessoas falam que gostariam de mudar de carreira, mas não conseguem porque precisam garantir o próprio sustento ou dos filhos. Mas você não precisa fazer uma mudança brusca de repente, existem várias estratégias pelas quais você pode fazer a transição aos poucos. Você pode por exemplo tentar migrar para uma área intermediária entre a sua área atual e a que você quer, como alguém que se formou em administração e quer migrar para a psicologia, então começa a atuar como coach que é uma formação mais rápida e na qual você pode usar seu conhecimento e networking da área atual. Você pode ainda trabalhar no que quer nas horas vagas, como hobby, pode trabalhar como freelancer na sua área atual part-time e na área que você quer no resto do tempo, pode se inserir em vários projetos paralelos de forma que cada um te dê um pouco de dinheiro e com o todo você consegue se sustentar, e por aí vai.
 
Mito 2: Não dá pra mudar de carreira no meio do caminho
O mais comum é justamente mudar de carreira quando já estamos há algum tempo na estrada. As pessoas costumam querer mudar justamente depois que elas já trabalharam um tempo na área atual e percebem que não gostam do que escolheram fazer. Isso acontece porque muitas vezes quando chegamos nas organizações percebemos que as atividades ou o ambiente daquela área não são exatamente o que a gente imaginava quando escolheu determinada carreira.
Também é muito comum mulheres optarem pela mudança depois que se tornam mães, para conseguir conciliar melhor o trabalho e a dedicação aos filhos. Hoje existem comunidades inteiras de mães nessa situação como o Maternativa e o B2mamy, que se apoiam mutuamente comprando entre si e viabilizando negócios umas para as outras.
 
Mito 3: Quem muda de carreira é quem não deu certo na sua área
Às vezes é justamente quando alguém está crescendo na carreira que percebe que não quer continuar nela. Você começa na área fazendo trabalhos chatos mas pensa que no começo é assim mesmo, que quando você subir de cargo vai melhorar, mas quando chega lá vê que não melhora e as vezes até piora. 
Outras vezes você só se dá conta que quer mudar de carreira quando todas as outras necessidades da sua vida estão sendo atendidas. Antes disso sua cabeça está tão ocupada com problemas mais urgentes que você não é nem capaz de se dar conta de que não gosta do que faz. Quem conhece a pirâmide de Maslow sabe do que estou falando. A Teoria das Necessidades de Maslow diz que as nossas necessidades seguem uma hierarquia de 5 níveis, na qual você somente sentirá as necessidades de níveis mais altos quando conseguir primeiro atender as de nível mais baixo:
 
  • No nível mais baixo estão as necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a excreção, o abrigo;
  • No segundo nível estão as necessidades de segurança, em tudo o que ela significa;
  • No terceiro nível temos as necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;
  • No quarto nível vêm as necessidades de estima, ou seja, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais por nós mesmos e pelos outros;
  • Por fim, no último nível estão as necessidades de auto-realização. É somente aqui que a pessoa consegue se dedicar plenamente a realizar os próprios potenciais, e por isso muitas vezes é apenas nesse momento em que ela percebe que gostaria de mudar de carreira.
Em qual nível você está hoje?
 
Mito 4: Trabalhar é chato mesmo, todo mundo só faz porque é obrigado
É verdade que a grande maioria das pessoas só trabalha porque é obrigada. Quem está pensando em mudar de carreira ouve isso de várias pessoas. Mas o que você pode pensar quando ouve isso é “ok, mas eu não quero trabalhar o resto da vida em uma área só porque sou obrigada” Então agora te pergunto: Você quer trabalhar o resto da vida em uma área só porque é obrigada? Ou quer tentar encontrar um trabalho que faça mais sentido pra você e buscar uma vida mais interessante?
 
Mito 5: O que eu gostaria mesmo de fazer é muito difícil de entrar e/ou se manter
Recentemente fiz um post inteirinho sobre esse assunto sobre Como migrar para áreas não convencionais, que você pode ler aqui no blog. Esse post surgiu de uma pesquisa que eu fiz para ajudar uma coachee, perguntando para pessoas que atuam em áreas diferentes do comum como foi o passo-a-passo que elas fizeram para conseguir atuar nessas áreas.
 
Mudar de carreira não é fácil mesmo, dá medo, você corre riscos, mas esse é um pensamento de curto prazo. Se você pensar que a outra opção é passar o resto da vida fazendo algo que não gosta, fica mais fácil encarar uma mudança que vai sim envolver sacrifício, mas só por um ou dois anos.
Você está preparado para viver (e trabalhar) até os 100 anos?

Você está preparado para viver (e trabalhar) até os 100 anos?

Dado que somos a primeira geração que sabe que vai viver e trabalhar por muitos anos, como estamos nos preparando para isso?

No dia 7/5 tive a oportunidade de assistir à palestra “Você está preparado para viver até os 100 anos?”, de Denise Mazzaferro, Lilian Lang e Mórris Litvak no Festival Path. Tirando que isso foi apenas um dia depois do meu aniversário, tudo bem. rs Mas eles trouxeram muitas reflexões importantes sobre como vamos lidar com as nossas carreiras, dado que vamos viver e trabalhar muito mais do que as gerações anteriores, e por isso resolvi fazer um post mesclando o conteúdo dessa palestra tão interessante com aprendizados pessoais em função do meu trabalho como coach de carreira.

A revolução da longevidade já chegou e vai nos obrigar a rever o modelo tradicional da vida profissional, hoje focada em educação, trabalho e aposentadoria. Quando a aposentadoria foi criada por Bismarck, a expectativa de vida era de 46 anos, então ninguém chegava a se aposentar. Hoje há quem diga que a geração Y poderá passar dos 100 anos.

Pesquisas com comunidades que vivem até mais de 100 anos atualmente indicam que existem alguns pontos comuns entre elas:

  • Costumam ser semi-vegetarianas
  • Não comem à noite
  • Comem só 80 por cento do que os sacia a cada refeição
  • Bebem de maneira moderada mas com frequência
  • Praticam atividades físicas incorporadas ao seu dia-a-dia, muitas vezes ao seu trabalho mesmo (não precisa correr maratona!)
  • A família é sempre o centro das relações, dedicam tempo a ela, têm companheiros para a vida toda
  • Fazem parte de algum grupo religioso pelo menos uma vez por semana
  • Andam com as pessoas “certas”, que têm bons hábitos
  • Têm rituais que ajudam a desacelerar
  • E o que mais tem a ver com o nosso tema: têm um projeto de vida, querem realizar coisas independente da idade que têm. (Aliás você quer realizar alguma coisa?)

E esse projeto não precisa ser nada megalomaníaco não, na maior parte das vezes é algo até simples.

Mas calma. Antes que você pense assim como eu “ih, ferrou!”, saiba que só 20% da longevidade é genética, 80% é o que a gente faz. Então talvez ainda tenha saída. rs

Existem alguns pilares vida ativa que contribuem com a longevidade, como estarmos sempre aprendendo ao longo da vida, nos sentirmos seguros em todos os sentidos, entre vários outros, mas aqui vamos focar no tema da carreira.

Pergunte aos seus avós qual era (ou ainda é) o propósito de vida deles. Muito provavelmente eles não saberão dizer. E não é por ignorância, é que simplesmente essa palavra não era um problema na época deles, trabalhar tinha o único objetivo de ganhar dinheiro. A nossa geração na maioria das famílias foi a primeira que pôde se dar ao luxo de ter essa preocupação quanto ao seu propósito (e ainda bem que isso é possível!). Mas isso dificulta as coisas pra gente no sentido de não termos com quem trocar experiências sobre isso, sobre o que a pessoa fez para definir um propósito, o que ela fez se o propósito que ela escolheu não deu certo, como ela viabilizou se sustentar a partir dele.

Teremos que construir nosso próprio passo-a-passo sozinhos.

Achamos estranho pessoas jovens não terem sonhos, achamos que elas têm algum problema, mas achamos normal pessoas idosas não terem. Sempre perguntamos aos nossos avós quais eram os sonhos deles quando eram jovens, nunca perguntamos quais são os sonhos deles agora que têm 70, 80, 90 anos. Mas lembre-se que você vai viver até os 100, como será viver aproximadamente 40 anos sem sonhos? Se envelhecer com sonhos é difícil, sem eles é muito pior. Sem falar que até as opções de sonhos parece que diminuem para as pessoas mais velhas. O importante é saber hoje que temos que fazer a lição de casa todo dia: saber que cada um vai envelhecer do jeito que é hoje, quem é chato hoje será chato quando for mais velho, quem conversa com todo mundo na rua idem, e se você não sabe o que quer hoje, quando for mais velho e as opções forem menores, será muito mais difícil saber o que quer.

Autoconhecimento será cada vez mais importante, para que com 60 anos você não esteja ainda procurando um emprego que não faz sentido.

Já se diz que teremos várias carreiras ao longo da vida. Isso faz sentido do ponto de vista prático, já que um professor de educação física por exemplo provavelmente não conseguirá dar suas aulas até os 80 anos, e do ponto de vista psicológico, pois nossos interesses, gostos, habilidades, valores, necessidades e motivações provavelmente mudarão durante todo esse tempo e a gente não vai querer fazer sempre a mesma coisa. E isso é esperado, é sinal de evolução não sermos os mesmos a vida toda. Se aos 5 anos você gostava de brincar de boneca e não gosta mais aos 35, provavelmente também terá gostos diferentes dos atuais aos 65.

Por isso aumentará a experimentação, pessoas se lançando a aprender e fazer coisas produtivas que nunca fizeram antes, muitos anos depois de terem deixado os bancos universitários.

Não teremos garantia que alguém vai cuidar da gente, muitos de nós estão escolhendo não ter filhos, e mesmo que os tenhamos, não sabemos como será a cabeça da próxima geração que está vindo e mais do que nunca nada garante que eles cuidem da gente. A aposentadoria não cuida mais da gente faz tempo e já não podemos mais sequer contar com ela. Mais motivos para precisarmos trabalhar até muito tarde. Nesse momento pode ser que os amigos façam grande diferença nas nossas vidas.

Pode ser que precisemos empreender com nossos amigos para garantir nosso sustento, ou até morar com eles em pequenas comunidades de pessoas mais velhas que se ajudam e cuidam umas das outras mutuamente.

Mas as organizações ainda não estão preparadas/interessadas em nos receber mais velhos, aliás elas não estão preparadas para receber a geração Y nem agora que ainda somos jovens. E é fato que os RH das empresas não sabem lidar com entrevistar uma pessoa de 60 anos, e até mesmo com lidar com conflitos de gerações entre pessoas de 60 e de 20 anos na mesma área. O que pode facilitar coisas para nós é que muitos dos nossos empregos futuros ainda estão sendo inventados, não haverá mais tantos empregados, haverá mais empreendedores, e no empreendedorismo não importa a idade que você tem.

Por isso, ter opções de carreira será cada dia mais valioso – pode ser que hoje você não faça nada com um curso de fotografia, mas lá na frente pode fazer diferença.

Quantas carreiras você tem hoje? Você tem um plano A, plano B ou até um plano C de vida? Se precisar de ajuda para ter mais opções e se planejar melhor para esse momento da vida, conte comigo. Trabalho como coach de carreira, ajudando pessoas a encontrarem trabalhos que façam mais sentido para elas e ajudando-as a viabilizar sua transição. Você pode me encontrar pelo site ou pela página no Facebook.

Como encontrar um trabalho que faça sentido

Como encontrar um trabalho que faça sentido

Não sei se vocês já sabem mas eu pratico krav maga há 4 anos e meio. Para o texto de hoje vou usar o krav maga como exemplo, mas o conteúdo se aplica perfeitamente ao mundo do trabalho também.

Apenas para contextualizar, o krav maga é a única arte de defesa pessoal reconhecida internacionalmente, não sendo uma arte marcial. Seu único objetivo é dar a oportunidade de que a pessoa consiga chegar viva e inteira em casa diante de qualquer situação de risco, por isso não participa de campeonatos e não tem movimentos estéticos. Foi criado na década de 40 por Imi Lichtenfeld, quando a Europa vivia um cenário de guerra e de grande hostilidade contra o povo judeu, para ajudar as forças de defesa do que mais tarde viria a ser Israel. Essas forças posteriormente se tornaram a IDF, considerado por muitos o melhor exército do mundo. Desde então o krav maga era considerado uma arma secreta do exército de Israel, e somente a partir de 1964 começou a ser ensinado a civis e se espalhou pelo mundo. E antes que alguém me imagine parecida com a Ronda Rousey, saibam que eu sou uma mulher bem magrinha, fraca, e detesto academia. rs O krav maga elimina a necessidade de uso da força, e o faz efetivamente através de movimentos simples (movimentos naturais do corpo), rápidos (movimentos curtos) e objetivos (que vão direto aos pontos mais sensíveis do agressor).

Voltando ao nosso assunto, antes de mais nada precisamos entender o que é o sentido. O sentido tem a ver com o emocional, não com o racional. É muito difícil manter uma academia por muito tempo para a maioria das pessoas. Isso acontece porque a gente não consegue ver um sentido que mexa com o nosso emocional, mas apenas com o racional como manter a saúde ou uma boa forma física, que embora sejam motivos muito justos, não são o suficiente para nos mover. Da mesma forma trabalhar apenas pelo dinheiro é tão difícil. Tem que ser sentido pra fazer sentido. Mesmo no krav maga, por incrível que pareça as pessoas continuam por anos a fio movidos pelo emocional, não só pelo racional. Tem pessoas que fazem krav maga única e exclusivamente para defesa pessoal, estão ali apenas para aprender um conjunto de movimentos que irá ajuda-las a se defender de uma possível agressão na rua. E esse é um motivo importante, não tem problema nenhum nisso. Mas como falta sentimento, isso acaba não sendo motivação suficiente para elas treinarem por muito tempo.

E mais ainda, quem fica por muitos anos são aqueles que conseguem ver a prática como uma forma de aprender importantes lições de humildade, auto-estima, julgamento, generosidade, coragem e amizade, apenas para dar alguns exemplos. Quando eu chego em uma aula, por exemplo, enxergo muito mais do que uma hora e meia de socos e chutes. Vejo oportunidades de aprender com meus colegas que entenderam o porque de um movimento que eu não havia entendido, de ajudar o colega que faltou na última aula e não aprendeu aquele movimento ainda, de ser mais humilde quando começo a achar que estou indo muito bem e tomo um balde de água fria quando o professor chama a atenção para um erro que eu não podia mais cometer na minha faixa, de exercitar minha coragem quando levei meses para conseguir fazer rolamento porque eu tinha medo de me machucar. Isso vale para qualquer outra coisa na vida, como o nosso trabalho ou fazer academia por exemplo. As pessoas que realmente encontram sentido no que fazem são aquelas que conseguem ver mais naquela atividade do que as outras pessoas que estão fazendo a mesma coisa conseguem ver.

E muitas vezes esse significado nem está relacionado com o que se faz em si, mas com o que isso traz de positivo para a pessoa. Quando eu comecei a treinar faltava muitas aulas, não me empenhava, nem pensava no assunto, porque inicialmente eu só enxergava o que todo mundo vê quando vai assistir uma aula. Eu só consegui engrenar quando passei a ver os benefícios físicos, comportamentais, emocionais e sociais que aquela atividade estava me trazendo, e que não são poucos. Como nunca gostei de luta (juro!), se continuasse vendo apenas socos e chutes certamente não teria ficado ali por muito tempo. Por isso que quando vemos o nosso trabalho apenas como uma forma de ganhar dinheiro, é muito difícil nos destacarmos e subirmos os degraus da carreira. Ou até conseguimos chegar lá, mas não conseguimos manter por muito tempo. Geralmente quem consegue isso é justamente quem enxerga o seu trabalho de outra forma, ainda que isso não seja evidente pra você ou mesmo que o sentido que aquela pessoa vê nem faça sentido pra você. O que importa é que faça sentido para ela. Isso é o bastante para ela crescer.

O significado que algo tem pra você pode mudar ao longo da vida. Isso pode ser motivado por um evento externo (uma relação que não é mais tão bacana quanto era no começo) ou por um evento interno (afinal você também muda durante a vida). A partir das experiências que vamos vivendo muda o que você acredita, o que gosta de fazer, os assuntos pelos quais se interessa, seus sonhos, o ambiente ao seu redor, as pessoas que te cercam, e em consequência seus sentimentos em relação às coisas mudam. Por isso pode acontecer de o trabalho que hoje faz muito sentido pra você, amanhã não fazer mais tanto.

Quanto mais significado você consegue ver no que faz, mais ele cresce. Vou explicar. É que quanto mais significado algo tem na sua vida, mais você se envolve com aquilo, e mais portas você abre para que aquilo adquira ainda mais significado. No krav maga, com o tempo comecei a ir em seminários, uma turma começou a se reunir para treinar no fim-de-semana ou até para comer pizza, comecei a me oferecer para ajudar os colegas que faziam a menos tempo, até que recentemente fiz o curso de monitores, que dura uma semana no interior do Rio de Janeiro. Esses eventos, mais do que experiências das quais vou lembrar a vida toda, me proporcionaram tantas situações diferentes que ajudaram para que eu atribuísse ao krav maga ainda mais significado em minha vida. No trabalho é a mesma coisa, a gente se envolve em cada vez mais projetos, se dedica muito mais do que as outras pessoas sem perceber, quer estudar, quer ser melhor para aquilo. Mas só quando a gente vê significado. Quem não tem essa atitude diante do trabalho não é porque é preguiçoso, pouco ambicioso ou incompetente, é porque não vê significado naquilo que está fazendo.

Já tive um coachee que passou por esse dilema (e que me autorizou a falar sobre isso). Ele era um profissional ruim em seu trabalho, se atrapalhava, não apresentava boas entregas, não construía boas relações, tinha grande dificuldade de entender os assuntos nas reuniões. Mas desde cedo percebi que ele não era apenas preguiçoso, ele era bem esforçado, mas tinha um verdadeiro bloqueio com o seu trabalho. E ele não era burro, fora do trabalho era uma pessoa bem articulada, tinha um ótimo nível cultural e um raciocínio muito inteligente. Mas se sentia muito incompetente e sofria com isso. Com o tempo ele entendeu que o problema não era ele, mas o trabalho que ele fazia. Ele detestava aquilo. Depois de um longo processo ele descobriu o que realmente gostava de fazer, mudou de área e hoje está se saindo super bem em seu novo trabalho. Parece outra pessoa no trabalho e na vida. No caso ele encontrou essa atividade de que gosta em um hobby antigo.

Mas agora você deve estar pensando: ok, mas como encontrar um trabalho que faça sentido? Primeiro, saiba que não necessariamente o problema se resolve com mudar de carreira. Você pode conseguir ressignificar o seu trabalho atual e mudar totalmente a sua motivação com relação a ele. Você pode buscar esse significado conversando com pessoas que são bem-sucedidas na sua área por exemplo, perguntando qual o significado que elas vêem no que fazem e avaliando se esse significado faz sentido pra você ao ponto de você passar a ver o que faz com outros olhos. Quando eu trabalhava em consultoria e aquele trabalho não estava mais fazendo sentido pra mim, perguntei para outras pessoas bem-sucedidas na empresa qual era o significado que aquele trabalho tinha para elas. E de verdade, vieram algumas respostas que em 7 anos de consultoria eu nunca tinha cogitado. No meu caso não foi o suficiente para que eu passasse a ver um significado que me fizesse querer continuar ali, mas poderia ter sido.

Se isso não funcionar, pense com quais atividades você tem uma conexão emocional? Pode ser uma atividade que você exerça profissionalmente ou não, ou até uma com a qual você não tenha contato mas que gostaria muito de fazer, que mexe com você. Talvez seja uma atividade só, mas o mais provável é que venha uma lista. Para cada atividade da lista reflita: é possível tornar essa atividade uma profissão? De que forma?

Se você sente que precisa de mais para conseguir tomar uma decisão, conte comigo. Nos processos de coaching fazemos uma investigação muito mais profunda para te ajudar a encontrar um trabalho que faça sentido. Trazemos à luz seus valores, necessidades, habilidades, gostos, sonhos, e organizamos tudo isso de forma que te ajude a tomar uma decisão. Você pode me encontrar pelo site ou pela página no Facebook.

Como definir um objetivo de carreira — e alcança-lo!

Como definir um objetivo de carreira — e alcança-lo!

Fiz esse post porque algumas pessoas me escreveram através do meu site e da página no Facebook, pedindo que eu falasse sobre como definir um objetivo de carreira e como correr atrás dele. Então vou compartilhar aqui o processo que eu sigo com meus coachees no encontro em que vamos definir seus objetivos de carreira.

Antes de começar, é importante eu te dizer que nos processos de coaching, antes disso fazemos toda uma investigação que embasa essa decisão da escolha do objetivo, que pode conter um entendimento do que a pessoa já tem ou precisa desenvolver em termos de conhecimentos, competências, habilidades e experiências para buscar esse objetivo. Se estivermos falando de uma decisão por qual carreira seguir, essa investigação contem ainda a tomada de consciência da pessoa em relação a quais são os seus valores, necessidades, recursos que ela tem para ir atrás desse objetivo, habilidades, gostos e sonhos que ela carrega consigo.

Dito isso, mãos à obra!

Objetivo é o que você quer atingir efetivamente, aonde você quer chegar. Quando falamos de definir um objetivo de carreira, digamos que você não sabe o que gostaria de fazer na carreira, então pode pensar no que já tem de conhecimento e experiências que poderia utilizar para construir algo que dá dinheiro, e decidir para qual área seguir a partir daí.

Quando definir o seu objetivo, antes de sair fazendo qualquer coisa é importante você ter certeza de que quer realiza-lo de verdade e de que só depende de você pra ele se concretizar. Você pode fazer isso se fazendo algumas perguntas:

O objetivo foi formulado com base no que você quer? Isso significa que ele tem que ser positivo, não pode ser negativo do tipo “eu não quero X”.

O objetivo está 100% na sua mão? Não adianta se definir objetivos que as ações para alcança-lo tenham que ser executadas por outras pessoas. Sabe quando na empresa o seu chefe fica te dando tarefas que dependem de um monte de gente além de você? Não é super difícil pra conseguir entregar? É isso.

É autoiniciado? Traduzindo: é você ou no fundo é outra pessoa que quer? Por exemplo, muitos de nós escolhemos nossas carreiras influenciados por nossos pais, seja por pressão familiar para ter uma profissão decente, facilidade para se colocar no mercado através dos contatos da família, e por aí vai. Essa ‘outra pessoa’ nesse caso também pode ser o mercado, quando escolhemos uma profissão apenas porque dá dinheiro.

Se eu atingir esse objetivo, estarei fazendo algo em que acredito? Aumentarei as chances de poder ser mais ‘eu mesma’ no meu trabalho? Terei mais daquilo que eu quero para a minha vida? Aumentarei as chances de me libertar daquilo que não quero para a minha vida?

Após definir o objetivo, precisamos estipular uma meta para ele. A meta é um número que, quando atingirmos, saberemos que conseguimos nosso objetivo. Para isso, deve ser composta por quantidade e prazo. Por exemplo, a sua meta pode ser conseguir 12 clientes em 6 meses para o seu novo negócio.

Quando a meta é muito distante, é importante estabelecer metas intermediárias para não perder o foco, não acabar simplesmente esquecendo da meta, e para não desanimar com ter que fazer algo tão grande. No exemplo acima, uma meta intermediária poderia ser conseguir 2 clientes por mês.

Já temos objetivo e meta. Agora é hora de fazer o que chamamos de verificação ecológica, que consiste em olhar para suas decisões de maneira saudável, avaliando o impacto delas em todas as áreas da sua vida. A verificação ecológica é importante porque, quando promovemos mudanças em uma área às custas de outra, é provável que a mudança não dure muito. Além disso, a definição de objetivos precisa levar em conta o que a pessoa inteira quer, e não apenas a parte que está dominando neste momento. Afinal, queremos que você saia daqui em um lugar melhor, e não pior, do que onde começou. E como fazer isso?

Nos processos de coaching eu convido a pessoa a se fazer algumas perguntas, para cada área da sua vida:

Quais são os prós de eu buscar esse objetivo?

Quais são os contras de eu buscar esse objetivo?

O que eu aguento perder para buscar esse objetivo?

O que eu não aguento perder por esse objetivo?

Qual o impacto nas pessoas de eu buscar esse objetivo?

Quem o julgamento me incomoda? Eu quero dar a eles esse poder?

Após ela responder, juntos nós checamos se ela levou em consideração todas as áreas da sua vida, que eu divido em: Lazer, Finanças, Profissional, Intelectual, Íntima (você consigo mesma), Espiritual, Física (saúde e aparência), Família e Relacionamentos Sociais.

E agora? O objetivo se manteve intacto ou sofreu alteração?

Agora que lapidamos o objetivo, precisamos de um plano de ação para alcança-lo. O plano de ação é uma lista das ações concretas que vamos executar para alcançar nosso objetivo e quando vamos realizar cada uma, a fim de bater a nossa meta no prazo que definimos.

Quando queremos alguma coisa muitas vezes não sabemos muito bem o caminho das pedras, o que precisamos fazer efetivamente para chegar aonde queremos. Uma forma de buscar inspiração para fazer o plano é tentar identificar no seu convívio pessoas que conseguiram aquilo que você quer ou algo próximo disso, e mapear o passo a passo que elas adotaram para conseguir. Pode ser que você já saiba esse passo a passo, senão que tal chama-la para um café, contar o seu plano e perguntar como ela fez para chegar lá?

Outra forma de se conseguir inspiração para estruturar o plano é tentar lembrar se teve alguma situação do passado que você já precisou fazer algo semelhante, e no que você fez na prática para conseguir isso. Por exemplo, se você quer passar em um concurso público, quando foi no passado que você teve um objetivo parecido? Quando fez vestibular, talvez? E o que você fez para conseguir?

Se não tiver um exemplo seu nem de pessoas próximas, você pode ainda se colocar no futuro. Tente pensar como se você já tivesse conseguido o que quer, e ‘lembrar-se’ do que fez para chegar lá. Confesso que essa estratégia não funciona muito bem comigo, mas por incrível que pareça (pelo menos pra mim) dá super certo com muita gente! rs

Às vezes me deparo com pessoas que não dão muito valor para o plano de ação, seja porque já tem uma ação na cabeça e acham que só precisam dela para fazer acontecer ou porque simplesmente têm preguiça de pensar nisso, acham excesso de organização. Se você for uma dessas pessoas, lembre-se que o sucesso não está no objetivo final, está no caminho – ele é apenas consequência. E o caminho que você vai percorrer é fruto do seu plano.

Agora vamos à elaboração do plano propriamente dito. Como disse antes, o plano nada mais é do que uma lista do que você vai fazer para correr atrás do seu objetivo. Pesquisando na internet você vai encontrar dezenas de padrões de plano de ação com níveis de complexidade bastante diferentes, mas para o nosso caso aqui eu acredito em um plano com 3 colunas: Ação / Lifeline / Status (já fiz, estou fazendo ou nem comecei).

Ação é o que você vai fazer efetivamente. Garanta que TODAS as ações dessa lista podem ser realizadas inteiramente por você. Se precisa que outra pessoa faça algo, não adianta colocar na ação “Pagar o cursinho” se o seu pai não souber que você conta com isso e se você não souber se ele pode ajudar. Então escreva na ação “Pedir ajuda do meu pai para ele pagar o cursinho”.

Lifeline é o que as empresas costumam chamar de deadline. O escritor Tal Ben Shahar (professor de Psicologia Positiva em Harvard) diz que quando estamos fazendo algo que realmente queremos fazer, nossos prazos são lifelines e não deadlines, porque ele entende que quando estamos fazendo algo que produz benefícios presentes e futuros, estamos a dar vida e não a matar o tempo. Pra mim fez todo sentido, então roubei o termo que ele criou para o nosso plano de ação.

A coluna de Status é a que você vai ficar atualizando toda semana com o andamento das ações.

Garanta que seu plano contenha recompensas para as pequenas vitórias, quem sabe no atingimento das metas intermediárias? Charles Duhigg (O poder do hábito) descobriu que todo hábito segue um ciclo padrão: esse ciclo sempre começa com uma deixa, ou seja, um gatilho que desperta a a rotina daquele hábito em particular. Essa rotina gera alguma recompensa que faz que com continuemos nesse ciclo tornando esse hábito cada vez mais presente no nosso comportamento diário. Assim, por exemplo, se toda vez que saímos de um dia de trabalho intenso e cansativo, resolvemos comer um chocolate para compensar o bom trabalho que fizemos e isso nos gera uma recompensa positiva, é provável que a gente passe a repetir isso até se tornar um hábito que, antes uma escolha consciente, já passa a ser um comportamento automático. Então, qual é a recompensa que você verá na execução do seu plano?

É importante não perder o embalo um só dia, senão a gente amolece e desiste – é igual academia de ginástica, se você deixa de ir um dia logo no começo, a chance de começar a não ir cada vez mais até desistir é grande. Seu plano tem ações para serem iniciadas amanhã mesmo? Então coloque uma já!

Outras coisas importantes que seu plano deve conter:

O que você precisa desenvolver em si mesmo para alcançar este objetivo (comportamentos / habilidades / conhecimentos / experiências)? Como buscar isso?

Como vou me certificar que coloquei o plano em prática? Como vou lembrar das ações que tenho que fazer? Aqui estamos falando de coisas bem simples, no meu caso é manter uma lista em um post it na área de trabalho do meu computador.

O que vou pensar ou fazer para me motivar? Pelo amor de Deus não pule essa pergunta! Muitas vezes não temos o apoio de ninguém para buscar o nosso objetivo, isso é comum quando queremos empreender por exemplo. Então é importante ter consciência de que vamos precisar nos automotivar e pensar em como podemos fazer isso.

Para cada ação do plano, pense se essa é a melhor ou a única forma de fazer isso, ou existem outras formas de fazer isso que poderiam ser ainda melhores? Aqui vale voltar na verificação ecológica e pensar em como reduzir ou eliminar os impactos que o seu objetivo pode causar nas várias áreas da sua vida.

Como posso tornar isso mais divertido / mais simples / mais tranquilo? Essas reflexões são importantes para tentar não se pressionar tanto, porque senão daqui a pouco você está no mesmo estado de stress em que estava antes de começar sua busca e não consegue curtir o processo.

Faça também um plano de não ação. Hein? Calma, vou explicar. rs Aqui é o que eu vou deixar de fazer para alcançar esse objetivo? Se o seu objetivo é mudar para a área de educação física, talvez não faça mais sentido continuar aquele MBA em Finanças e você deva trancá-lo para ter mais tempo pra se dedicar à nova área. Não se esqueça que a não ação também deve ter um prazo: até quando vou deixar de fazer isso para conseguir meu objetivo?

Pense nas pessoas que são importantes pra você. Não adianta nada você brigar com todo mundo porque está estressado estudando pra um concurso e ter que comemorar sozinho quando finalmente passar. Quais são as minhas principais necessidades de apoio? Como vou buscar esse apoio? Quem serão os maiores impactados pela minha transição? Como posso reduzir o impacto negativo?

Está acabando! Pra finalizar, vamos fazer um plano de contingência. Vou explicar como se faz isso.

Leia tudo o que você listou no seu plano. De 1 a 10, o quanto você se sente pronto para tirar esse plano do papel? E o que falta para ser 10? Esses são os obstáculos que você terá de enfrentar. Provavelmente surgirão outros ainda no meio do caminho, mas esses são os que você consegue antecipar. Outra forma de antecipar obstáculos é mostrar o seu plano para algumas pessoas que você confia e perguntar que dificuldades elas vêem para coloca-lo em prática. Para cada um desses obstáculos, reflita: O que posso fazer para reduzir o risco de esse problema ocorrer? O que posso fazer para ultrapassar esse problema caso ele ocorra?

Sei que parece complicado, mas é só nas primeiras vezes. Com o tempo você grava o processo faz um plano rapidinho, consultores fazem um plano completo em poucas horas. E estou falando de um plano para um objetivo complexo de carreira, como uma mudança de carreira ou um analista virar gerente em dois anos. Decisões do dia a dia não precisam de planos assim.

Pra te ajudar, fiz um esquema resumindo tudo:

Pronto! Você tem um objetivo e um plano de ação para alcança-lo! E mais do que isso, tem um norte, um caminho a seguir que faz sentido, que te coloca como protagonista da própria história, que não vai te deixar ir aonde o vento leva. Parece um motivo bastante justo pra ter esse trabalho, não?

E se precisar de ajuda nessa jornada, conte comigo! Você pode me encontrar pelo meu site ou pela página no Facebook.

O que autoconhecimento tem a ver com empreendedorismo

O que autoconhecimento tem a ver com empreendedorismo

Quando você ouve falar em autoconhecimento pensa em que? Livros de auto ajuda? Meditação? Terapia? Ano sabático? Retiro espiritual? E você sabe que essa palavra também significa identificar seus pontos fortes e fracos, saber exatamente o que você gosta e não gosta, no que você é bom ou não é bom, no que você acredita, do que você precisa pra viver, aproximar a visão que tem de si mesmo da visão que os outros têm de você? E que isso é essencial pra que você consiga fazer escolhas melhores, mais alinhadas com quem você é de verdade, e assim ser mais feliz?

Inclusive na sua carreira. Aliás é a falta dele que faz com que muitos de nós escolha carreiras erradas aos 17 anos: A gente simplesmente não se conhece o suficiente pra escolher. Um exemplo pessoal e bem bobo, mas que no meu caso pode ser extrapolado para muitas outras coisas, é que quando decidi que queria trabalhar em consultoria e assim fui fazer administração, eu achava que ia achar o máximo usar roupa social e andar chique e maquiada todo dia. Até que percebi que me sentia outra pessoa usando roupa social, me achava melhor sem do que com maquiagem, e apenas não conseguia escolher sapato de salto alto, porque todos pareciam extremamente desconfortáveis pra mim.

Você dificilmente conseguirá fazer algo (inclusive um negócio) dar certo por muito tempo que não tenha a ver com você. É a mesma coisa que entrar em um trabalho tentando parecer ser algo que não é, logo logo a máscara cai e/ou você não aguenta o tranco. E aqui nem estou falando de tentar enganar a empresa não, estou falando de coisas bem mais simples e que todos nós fazemos em algum momento, como achar que vai ficar bem em um trabalho super puxado quando na nossa vida nos preocupamos com a qualidade de vida.

Muitas pessoas adorariam ter seu próprio negócio mas não sabem o que gostariam de fazer. Quem já passou por outros posts meus já leu que você produzir algo que antes de resolver um problema do mundo, resolva um problema seu também – porque se é um problema pra você, certamente será pra mais gente. Só que no início dos processos de coaching, algumas vezes já pedi para as pessoas fazerem listas de quais são os seus problemas atuais, as suas dificuldades, no que a sua vida poderia ser mais fácil. E por incrível que pareça a maioria não conseguia listar nada ou quase nada. Não porque não tinha problemas ou dificuldades na vida, mas porque se acostumou com aquilo de tal forma que não percebia mais, ainda que a incomodasse. Então fica difícil saber que problema do mundo gostaria de resolver, quando você não sabe sequer quais são os seus próprios problemas.

Hoje em dia existem “n” formas de se fazer qualquer coisa, mas você já notou que tem coisas que dão super certo com umas pessoas, aí outra pessoa faz igualzinho e não dá certo? Você precisa se conhecer para dar a sua cara para o que faz. Pra decidir o que vai vender, com quais meios de divulgação vai se sentir confortável, como vai se apresentar sendo você mesmo, com quem você vê sentido em se unir, qual público quer atender.

É se conhecendo que você vai achar o seu jeito de ter sucesso. Resolver as coisas de maneiras menos sofridas pra você, que fluam mais, tornar a rotina mais agradável, ficar com o que faz bem feito e delegar o que não faz bem, saber com o que consegue lidar, evitar erros. Quando comecei a empreender eu tinha muito bloqueio com divulgar meu trabalho, porque o marketing me transmitia uma idéia de falsidade e porque não tenho habilidades comerciais muito desenvolvidas. Então fui atrás de outras formas de divulgação até que descobri o marketing de conteúdo, comecei a estudar o assunto, a entrar em contato com gente que divulga o seu trabalho dessa forma, e assim consigo divulgar meu trabalho de uma forma mais alinhada com o meu jeito de ser e o que eu acredito.

Pra piorar ainda mais a situação, há uma tendência no empreendedorismo de as pessoas quererem conhecer o empreendedor por trás da marca. Não querem mais sentir que elas são seres pequenininhos falando com uma organização gigante, querem falar de pessoa pra pessoa, falar com alguém que as entende, que passou pelas mesmas coisas que elas, e que tem flexibilidade e vontade sincera de ajuda-la a atender a sua necessidade. Querem saber como você é e o que tem de especial que te levou a criar aquele negócio tão bacana. Isso torna ainda mais relevante você se conhecer pra empreender, porque imagina se você criou um negócio que não tem lá muito a sua cara, aí o possível cliente tem contato com essa imagem que você está transmitindo, te procura pra conhecer seu produto ou serviço, vocês marcam de conversar, se conhecem e… nada acontece. Isso acontece muitas vezes não porque o seu produto em si não é bom, mas porque você não é aquilo que vende, e isso afasta as pessoas. Você já viu alguém dizer que prefere não conhecer o artista que fez a obra, pra não quebrar o encanto? É por medo de que aconteça isso.

Não faz sentido deixar o mundo corporativo porque, em outros fatores, não quer mais ser uma pessoa diferente em casa e no trabalho, e ir abrir um negócio para fazer o mesmo. É importante você se enxergar em tudo o que faz, que você consiga ver tudo no seu trabalho como uma produção sua, da qual você se orgulha por mais simples que seja, apenas porque é seu.

Uma vez falando sobre isso uma pessoa perguntou: “Mas Jana, isso não faz com que você não queira se adaptar a nada, que tudo tenha que ser do seu jeito? Não vai acabar te mantendo na sua zona de conforto?” A minha resposta é que não, por várias razões. A primeira delas é porque te obriga a ser mais criativo, porque isso reduz a possibilidade de usar receitas prontas (vide o exemplo acima da minha relação com o marketing). A segunda é porque te provoca a aumentar cada vez mais o seu autoconhecimento, buscar aprender, estudar, se testar, experimentar, pra saber o que consegue fazer bem, o que prefere fazer, o que dará mais certo ou não. A terceira é que se conhecer é encontrar o seu lado bom e o ruim, e descobrir no que você não é bom, o que não vai dar certo se ficar na sua mão, que do jeito que você mais acreditava talvez não dê certo, pode ser um aprendizado bastante duro.

Mas depois de tudo isso o que pode acontecer é você aumentar a sua zona de conforto a medida que se conhece mais. Vou explicar. Quando nos conhecemos pouco tudo nos causa medo, porque nunca estamos na zona de conforto, tudo é diferente, estranho, não sabemos como lidar com nenhuma situação. A adolescência tem muito disso, e olha que sofrimento que é pra maioria de nós. Porém, quanto mais nos conhecemos, nos sentimos à vontade em mais situações diferentes, porque sabemos como vamos e como devemos reagir. Ou seja, expandimos a nossa zona de conforto.

Mas como se autoconhecer, como provocar isso, não deixar ao acaso? Algumas formas são tendo experiências de vida, definindo desafios e metas e analisando como você lida com o processo, viajando, fazendo coisas pela primeira vez periodicamente, conversando com pessoas de áreas diferentes da sua, fazendo terapia e coaching se fizer sentido, lendo livros de temas diferentes dos que você já conhece, pedindo e ouvindo feedbacks, e tirando tempo pra pensar sobre tudo isso (e aqui vale até escrever, eu por exemplo penso escrevendo).

E se você sentir que precisa de ajuda nessa jornada, conte comigo. Sou coach especializada em transição de carreira, e ajudo pessoas a definir um rumo para suas carreiras através do autoconhecimento. Você pode conhecer um pouco mais do meu trabalho e me escrever pelo meu site ou pelo Facebook.

Eu sou geração Y sim, e daí?

Eu sou geração Y sim, e daí?

Nós temos a má fama de que não queremos trabalhar, de que trocamos de emprego toda hora, de que queremos tudo fácil, de que somos frescos e não queremos fazer qualquer coisa. Sei como é, eu também nasci entre 1980 e 2000.

E como muitos de nós, principalmente os que nasceram logo no começo dessa geração, tentei me encaixar no mesmo padrão de trabalho dos nossos pais. Procurei um emprego convencional em uma grande corporação, consegui, fiquei 7 anos na mesma empresa e vinha crescendo na carreira. Sempre achando que quando eu conseguisse crescer na carreira, aí sim meu amigo, tudo vai ser diferente e eu vou ser feliz. O problema começou quando, quanto mais eu crescia, mais trabalhava, mais eu percebia coisas das quais não gostava nas organizações, mais eu tinha que ficar quieta e dar graças a Deus por ter um bom emprego, por mais injustas que as coisas fossem.

Ah, mas largar tudo é fácil pra quem tem muito dinheiro. Eu não tenho muito dinheiro. Nasci em uma família bastante humilde e não fiquei rica com esse trabalho. O desconforto está aí pra todo mundo, não tem a ver com dinheiro. Tem a ver com valores.

Não me considero uma pessoa que não gosta de trabalhar. Trabalhava cerca de 12 horas por dia e acordava 5h30 da manhã para conseguir ir para a academia e fazer alguma coisa por mim além de dormir. Hoje trabalho em meu próprio negócio, e quem tem ou teve empresa sabe que trabalhar por conta é batalhar muito a cada dia para sobreviver.

Considero um movimento importante as pessoas começarem a se preocupar com qualidade de vida. Ninguém está pedindo pra trabalhar menos horas do que é pago pra fazer. Mas não é justo sermos pagos por 8 horas por dia e trabalhamos 12. Se continuar assim nossos filhos serão pagos por 8 horas e vão trabalhar 15. Que bom que alguém está incomodado com isso. Não vejo outra forma de se começar uma humanização nas organizações, se não for através do desconforto das próprias pessoas que trabalham nelas.

Mas nem todo mundo consegue viver do que ama. Se todo mundo fizer isso, não vai sobrar ninguém para trabalhar nas empresas. Concordo com isso, mas a questão para cada um é se essa é a vida que você quer viver. Quero fazer algo que tenha um significado maior pra mim além de ganhar dinheiro. Quero chegar no fim da vida e me orgulhar de quem eu fui e do que eu fiz com ela. Estudei muito pra isso, pra poder escolher entre profissões, formatos de trabalho, e entre trabalhos também.

É, mas vocês só querem fazer o que gostam e a vida não é só fazer o que se gosta. É? Ninguém está dizendo que fazer o que se ama é ter prazer o tempo todo, claro que todo trabalho tem partes chatas e que quase nenhum de nós vai viver como um nômade digital, trabalhando com o computador no colo na beira de uma praia paradisíaca em outro país. Digo isso porque trabalho como coach especializada em mudança de carreira, então converso muito com pessoas que querem mudar de área ou de formato de trabalho (alguém que atua no mundo corporativo e quer empreender por exemplo). Nunca alguém chegou até mim dizendo que queria isso. Já vi pessoas que queriam ter um negócio online, trabalhar em casa, mas geralmente porque queriam se dedicar mais aos seus filhos. Qualquer motivo para mim é um motivo justo, mas digamos que esse atende até a quem não é da geração Y.

E queremos tudo rápído, de preferência pra ontem. Queremos resolver tudo agora, ter tudo agora, falar com todo mundo agora. Concordo e sei que isso em casos mais extremos nos leva a muita ansiedade, não conseguimos mais esperar. Isso prejudica nossa capacidade de concentração e até nossas relações. Mas vendo por um lado positivo, tentamos o tempo todo encontrar formas de fazer as coisas mais rápido, ficamos ainda que online muito mais próximos dos nossos amigos, não temos paciência para sermos enrolados. De fato precisamos equilibrar isso, mas as grandes mudanças vêm assim mesmo, começam em um extremo, vão até o outro extremo, para ao final encontrar o meio termo ideal.

Boa parte das pessoas que conheço que fizeram escolhas por trabalhos com mais significado são empreendedores ou profissionais liberais. E normalmente isso significa trabalhar mais e não menos. Significa fazer conta o tempo todo para não ficar sem dinheiro. Procurar trabalho quase que diariamente. Seria muito mais fácil procurar um emprego e ficar na mesma empresa o resto da vida. Quer dizer, estamos dificultando a própria vida por essa causa.

Querer ficar mais tempo com seus filhos, ter uma vida mais equilibrada, construir negócios do zero mesmo correndo riscos, construir uma vida com mais significado, não se sujeitar a regimes que nos exploram, não me parecem atitudes de quem não tem juízo. Pelo contrário.

Como me planejei financeiramente para minha transição de carreira – por Andy de Santis

Como me planejei financeiramente para minha transição de carreira – por Andy de Santis

É cada vez mais comum receber clientes que me procuram porque não conseguem se libertar da gaiola de ouro de seu trabalho atual. São pessoas que não aguentam mais sua carreira, querem muito realizar mudanças, seguir suas paixões, talentos e vocações, mas estão presas ao aluguel, à mensalidade da escola dos filhos, às parcelas do sofá e tantos outros compromissos financeiros, que ficam com um baita medo de virar a mesa e seguir seus sonhos.

Elas se sentem como se fosse impossível ser feliz no trabalho e alcançar prosperidade financeira ao mesmo tempo. O medo de perder o conforto conquistado trabalhando em algo que odeiam acaba paralisando suas ideias de mudança, e seguem a vida assim, adiando o dia em que finalmente irão se libertar. Essa paralisia acontece principalmente quando já têm uma estrutura familiar mais complexa, como filhos, casa própria, carro, etc.

Confesso que já caí na mesma armadilha e já passei por essa sensação, nas quatro transições de carreira que vivi. Dá medo e trabalho, mas a boa notícia é que se eu consegui fazer tantas mudanças, todas elas depois de casada, com uma filha e uma casa para sustentar, você também consegue. Então, quando a Janaína me pediu para escrever esse post, em vez de ficar ditando regra, decidi compartilhar um pouco da minha experiência, quem sabe ela ajuda você a seguir em frente e não desistir do seu sonho?

Uma das primeiras lições que aprendi foi que mudar de carreira não é algo que se faz da noite para o dia. É um processo, que requer planejamento e paciência. Não dá para queimar etapas, ou quem sai queimado é você. Especialmente quando a sua decisão envolver outras pessoas, filhos, pais, parceiros ou dependentes. Por mais “de saco cheio” que você esteja da vida atual, sua precipitação pode causar impactos sérios na vida deles, então não é recomendável brincar ou se aventurar.

A primeira vez que pensei em fazer uma transição, estava cansada do meu emprego e tinha feito um curso longo de fotografia. Minha vontade era largar tudo para ser fotógrafa. Foi quando comecei a ver pessoas que tiravam seu sustento da fotografia e conversei com uma coach para descobrir, que, na verdade, eu não queria aquilo como profissão e sim, como hobbie, sem compromissos ou cobranças. Ou seja, antes mesmo de começar a planejar a transição, meu primeiro passo foi investir no meu autoconhecimento para buscar respostas para algumas perguntas como: Estou insatisfeita com a profissão que escolhi ou apenas com meu emprego atual? Que contribuição quero trazer para o mundo? O que eu me vejo fazendo daqui a dois ou três anos? Conversar com pessoas que estavam onde eu queria estar e consultar uma profissional de aconselhamento de carreira me ajudaram a reverter uma decisão que não me levaria aonde eu realmente desejava. Se não tivesse feito isso, talvez gastasse tempo, dinheiro e energia à toa. E quando a gente tem poucas balas na agulha, não dá para ficar errando o alvo, certo?

Levou algum tempo para eu descobrir o que realmente queria fazer, mas o fato de saber não significa que consegui fazer a primeira transição imediatamente. Primeiro, foi preciso mapear os recursos necessários para começar essa transição. Precisei descobrir:

O que faltava para atuar profissionalmente na área escolhida? Que conhecimentos novos eu precisaria buscar?

Que cursos, eventos, pessoas, livros poderiam me trazer esse conhecimento?

Quanto tempo, dinheiro e energia precisaria investir para aprender tudo isso?

Quem seriam meus clientes ou empregadores?

Com que redes profissionais eu precisaria me conectar?

Quem poderia indicar oportunidades?

Valeu a pena fazer uma estimativa do que eu precisava investir para dar o primeiro passo.

Depois de mapear o caminho, fui olhar para minhas finanças e novamente busquei responder: está sobrando dinheiro para esse investimento? Se não, o que posso fazer para sobrar? Em que áreas sou capaz de abrir mão de gastos? Em quanto tempo conseguirei juntar o suficiente para investir na minha transição?

Tive que definir qual seria meu campo de segurança necessário para virar a chave. Isso é muito pessoal, alguns precisam de uma reserva financeira equivalente a três meses de suas contas, outros só conseguem se sentir seguros se tiverem acumulado dois anos de contas pagas. Como sou bem conservadora e preocupada com minha família, decidi acumular uma reserva equivalente a 12 meses das minhas despesas. Enquanto isso, fui estudando, fiz mestrado, contatos profissionais, fui mapeando o território. Tive que abrir mão de algumas viagens, passeios, reformas na casa, mas tudo isso fazia parte do processo. Manter o foco é importante.

Outra coisa que precisei fazer foi o seguinte: imaginando que, nos primeiros dois anos do meu novo trabalho, minha renda seria reduzida, calculei quanto dinheiro precisaria ter reservado para sobreviver ao longo desse período. Foi saudável fazer o exercício de revisitar meu padrão de vida para que minhas reservas durassem o máximo de tempo possível. Pensei que seria importante ter bastante fôlego financeiro para seguir adiante, afinal, não queria voltar atrás na minha decisão e buscar minha antiga zona de conforto.

Depois de dois anos estudando, fazendo contatos e guardando dinheiro, comecei a experimentar a nova realidade, sem compromisso. Usei horas vagas, noites, finais de semana para testar projetos que eu gostaria de fazer. As primeiras experiências não traziam remuneração, mas fui ganhando vivência, conhecimentos e contatos que seriam úteis quando eu me desligasse totalmente da vida antiga. Posso dizer que fui me libertando aos poucos e com o tempo, meu plano B foi virando o plano A, até que finalmente, em outubro de 2013, depois de 4 anos investindo, finalmente virei a chave. Saí de uma instituição financeira, onde tinha salário fixo, comissão de cargo, benefícios, seguro de vida, saúde, etc. para montar minha própria microempresa e trabalhar por conta própria.

Desde então, já se passaram três anos e várias outros desafios foram aparecendo no caminho: lidar com a renda variável, administrar a ansiedade de ficar certos períodos sem renda nenhuma, ou ao contrário, segurar a vontade de sair comprando nas horas em que entram projetos grandes e eu recebo 10 vezes a renda que estava acostumada, entender que as coisas têm um tempo para acontecer e que os frutos às vezes demoram para ser colhidos, dizer não para projetos que pagam bem mas que não estão ligados a meu propósito (afinal, foi para isso que fiz a transição, certo?), equilibrar vida pessoal e trabalho, entre outros dilemas que surgiram e ainda surgem todos os dias.

Hoje posso dizer que sou feliz a cada projeto entregue, nota faturada, desafio superado. E minha história de vida, junto com as histórias de tantas pessoas que venho auxiliando nesses três anos, revelam quanta riqueza se pode encontrar quando investimos em uma transição de carreira planejada. Vale cada moeda, minuto e gota de suor. Espero que essa história tenha inspirado você a persistir na busca de mais significado em seu trabalho. E se precisar de ajuda para construir o plano financeiro para sua transição de carreira, conte comigo.

Andy de Santis é educadora, autora, consultora financeira pessoal, fundadora do projeto Dinheiro na Roda e parceira de planejamento financeiro do Apoio para Repensar sua Carreira.

10 dicas para mudar de carreira sem dinheiro

10 dicas para mudar de carreira sem dinheiro

Dinheiro é a maior dificuldade de 9 entre 10 pessoas que querem mudar de carreira. Mas existem diversas possibilidades que podem ser consideradas por quem quer mudar de carreira mesmo sem grana.

1) Fazer algo na sua área atual que te aproxime do que você quer. Pense em como pode usar as suas habilidades atuais a serviço da área nova. Se você é administrador e quer migrar para a psicologia, por exemplo, pode começar atuando como coach. Quando o coaching te permitir sair do mundo corporativo, você terá tempo e dinheiro para fazer a faculdade de psicologia.
2) Fazer várias coisas em paralelo. Assim, cada projeto pode te dar um pouco de dinheiro, e a soma dos rendimentos com cada projeto te dá o que você precisa pra viver. Médicos fazem isso, trabalham no centro cirúrgico alguns dias, no consultório, no pronto-socorro, em dias e horários diferentes.
3) Começar fazendo a atividade nas horas vagas. Você pode oferecer o seu produto para as pessoas próximas ou mesmo para estabelecimentos próximos da sua casa.
4) Permanecer na sua área atual como freelancer part-time e se dedicar ao que você quer fazer no resto do tempo. É uma alternativa mais arriscada, já que presume que você sairá da sua área atual antes de ter ganhos relevantes na área nova. Mas pode ser uma saída quando você trabalha em uma empresa 16 horas por dia e dificilmente conseguirá mudar de área se ficar no mesmo lugar.
5) Começar na internet, já que as atividades na internet normalmente não exigem horário fixo. Você pode usa-la para vender ou somente para divulgar o seu trabalho. Faça um site, blog, páginas nas redes sociais, utilize os grupos do Facebook para divulgar seu trabalho.
6) Aceitar um trabalho que pague menos na área que você quer. Você terá uma queda no padrão de vida por um período, mas será ótimo para ganhar conhecimento, experiência e fazer contatos, e pode acelerar o seu crescimento na nova área. Pense em quanto tempo você demorou para ganhar o seu salário na área atual, não é razoável querer começar em outra área ganhando a mesma coisa não é mesmo?
7) Cogitar dar aulas do que você sabe fazer, ainda que só por um tempo. Você pode lançar um curso online e criar uma página para divulgar, ou procurar alguma instituição para dar aulas. Isso é comum no meio da fotografia, fotógrafos dão aula em escolas de fotografia ou universidades para obter uma renda fixa.
8) Se você pensa em produzir um produto, faça pequenas quantidades (o que você consegue fazer no seu tempo livre sem enlouquecer) e tente vender no comércio próximo da sua casa, ou mesmo para as pessoas conhecidas. Isso ajuda a testar a receptividade do mercado ao seu produto, e a crescer aos poucos, sem sair do seu trabalho atual.
9) Se tiver condições de economizar e paciência pra esperar, pode ir guardando dinheiro todo mês até que tenha condições de viver algum tempo sem nenhuma fonte de renda. Um tempo seguro para viver sem uma fonte de renda, quando queremos empreender, geralmente são dois anos. Nesse caso, jamais deixe seu dinheiro na poupança, procure renda fixa ou tesouro direto, que garantem uma rentabilidade muito maior a um risco quase zero também.
10) Mas a principal dica na minha opinião é essa: Quando eu consegui as coisas mais difíceis na minha carreira, eu simplesmente não cogitei voltar atrás. Tiveram vezes que deu tudo errado no meio do caminho, mas eu agi o tempo todo como se voltar atrás não fosse uma possibilidade, não pensei nisso, não considerei como plano B, não quis ler os momentos mais difíceis como um sinal de que eu deveria voltar atrás, não quis levar em conta o fato de que o dinheiro estava acabando, nada. Isso pode parecer maluco e até irresponsável para as pessoas mais programadas e que precisam se sentir seguras, mas agir assim me deu um senso de urgência que me fez correr atrás do que eu queria e fazer dar certo. E com o tempo fui percebendo isso na maior parte das pessoas que conseguiram coisas difíceis em suas carreiras, como se inserir em áreas mais difíceis ou mudar de área no meio do caminho. Mesmo que elas não tivessem isso assim tão claro na cabeça, elas faziam isso sem perceber.

Se nenhuma destas opções fez sentido pra você, talvez valha a pena avaliar o quanto realmente quer mudar de carreira. Às vezes quando estou diante de um problema, mesmo quando apresentada a uma grande quantidade de possibilidades de solução, simplesmente não consigo tomar uma decisão. Penso que nenhuma opção serve. Vejo muito isso nos processos de coaching também. Nessas horas me questiono o quanto eu realmente quero sair desse problema, já que ficar nele me parece mais fácil do que qualquer uma das opções.

Lembra do diálogo em Alice no País das Maravilhas, “quando a gente não sabe para aonde vai, qualquer caminho serve”? Ele se aplica ao contrário também, ou seja, quando qualquer ou nenhum caminho serve, é porque a gente não sabe para onde vai.

A morte é um dia que vale a pena viver

A morte é um dia que vale a pena viver

Outro dia estava lendo o livro A morte é um dia que vale a pena viver, da Ana Claudia Quintana Arantes, e ao longo dos seus anos de trabalho com Cuidados Paliativos ela percebeu que um dos 5 maiores arrependimentos que as pessoas têm diante da morte é ter trabalhado tanto. Fiquei tão impactada pelas suas palavras que não tinha como não compartilhar, talvez porque eu mesma já me vi nessas situações embora na época não tivesse conseguido definir de forma tão precisa.

“O que causa o verdadeiro arrependimento é precisar de máscaras para sobreviver no ambiente profissional. Quando existe uma diferença entre quem somos na vida pessoal e quem somos no trabalho, então estamos em apuros. (…) Se só sabemos ser nós mesmos calçando um chinelo, então coloquemos os pés na terra antes que seja tarde e não saibamos mais a diferença entre nossos pés e a sola do sapato. (…) Quando aceitamos um trabalho que se distancie da nossa essência, temos a sensação de tempo desperdiçado, principalmente se preferimos nossa essência ao nosso trabalho. Mas também existe o risco de gostarmos demais de ser aquela pessoa do trabalho, especialmente se só conseguimos pensar em nós mesmos como alguém porque trabalhamos. Essas pessoas podem ser incríveis no trabalho, mas na vida pessoal são um desastre. Quando se aposentam, é como se morressem.” Passei muitos anos da minha vida me sentindo diferente das pessoas do meu meio, achei no começo que era por falta de experiência, mas conforme fui crescendo na carreira essa sensação não passou e percebi que não era só isso. Eu me sentia estranha de roupa social, parecia que nada combinava, e não entendia porque eu simplesmente parecia não ter capacidade para combinar as roupas de trabalho e facilmente me sentia tão bem com as roupas de fim-de-semana. Levou muito tempo até eu perceber que isso ia muito além das roupas, passando pelas conversas do ambiente de trabalho, pelo meu jeito de ser, de pensar, de agir. Basicamente havia uma dualidade entre quem eu era no trabalho e quem eu era fora do trabalho. Eu estava crescendo na carreira, então essa inadequação não parecia ser real. Mas isso não importa, ela era real dentro de mim. E quanto mais eu crescia na carreira, mais essas duas pessoas ficavam diferentes.

Então eu comecei a precisar de cada vez mais lazer para ficar ‘bem’, a fazer cada vez mais atividades para ‘descansar’, a gastar cada vez mais dinheiro para me sentir melhor. “A maior parte de nós passa pelo menos oito horas trabalhando, sem falar do tempo em que buscamos atividades para tentar melhorar o desempenho no trabalho. Meditamos para ter mais atenção, fazemos exercício físico para nos sentirmos melhor, e tudo isso para trabalhar mais. O caminho pode estar certo, mas o motivo para percorrê-lo pode estar errado. Fazer o bem para ser feliz na vida é diferente de fazer o bem para se dar bem no trabalho. Se escolhemos o autocuidado não pelo prazer de receber uma massagem, mas para não ter dor nas costas e, assim, poder trabalhar melhor no dia seguinte, então pode haver algo errado com nossos motivos. Pessoas que orientam sua vida para o trabalho se arrependem, principalmente se o motor for o câncer da humanidade: o medo. Medo de não ter dinheiro, medo de faltar estudo para os filhos, medo de não ter onde morar.” O problema é que se você não toma a decisão de agir de acordo com a sua essência, uma hora a vida fará isso por você. O esforço mesmo que nem seja tanto começa a parecer muito mais do que você tem condições de lidar. Você começa a não conseguir crescer na carreira, a perder o emprego toda hora, a se irritar por qualquer coisa, a ficar doente. É a vida te mostrando que tem alguma coisa errada. E tudo começa a conspirar contra.

“A energia que vem de um trabalho que não faz sentido é ruim, também. Com o dinheiro compraremos comida que vai estragar mais rápido, teremos um carro que vai quebrar a toda hora, entraremos para uma academia que não teremos tempo de frequentar. Comparemos roupas que não usaremos, cursos que esqueceremos. Quando observamos nossa vida e percebemos que vivemos comprando bens que não cumprem sua função de nos fazer viver melhor, pode ser que haja algo errado com a origem do dinheiro. Se ganhamos uma fortuna, compramos um carro e chegamos à nossa casa com cara de zumbis, tem algo errado. Mas a gente segue achando que tudo é normal, que a vida é assim mesmo.

Alguém também já passou por isso?