Os 4 principais fatores que podem fazer você se arrepender de mudar de carreira

Os 4 principais fatores que podem fazer você se arrepender de mudar de carreira

Às vezes a gente muda de carreira e depois de um tempo estamos igualmente insatisfeitas na nova área. Mudar de carreira é uma decisão muito importante, e não tem como não sentir medo de se jogar e se arrepender depois. Por isso mesmo é importante entender os motivos que nos levam ao arrependimento, para reduzir a probabilidade de cairmos nos mesmos erros, e é sobre isso que vamos falar hoje.

Como uma mudança de carreira pode levar vários anos, e a gente continua evoluindo como pessoa ao mesmo tempo que muda de carreira, às vezes quando nos consolidamos na nova área já somos diferentes e queremos outras coisas. Como isso está totalmente fora do nosso controle, não temos como eliminar a possibilidade do arrependimento.

Mas podemos reduzir a probabilidade que isso aconteça, se conhecermos as outras razões que podem nos levar ao arrependimento e tivermos estratégias para lidar com elas. Pelo que tenho observado em função do meu trabalho, me parece que isso pode acontecer basicamente por 4 motivos:

  • Não nos conhecemos o suficiente antes de tomar a decisão
  • Não conhecemos a nova área o suficiente antes de mudar
  • Não mudamos a própria cabeça para a nova área
  • Não estamos dando certo na nova área

Vamos falar sobre cada uma destas razões.

 

 

Não nos conhecemos o suficiente antes de tomar a decisão

 

Muitas vezes erramos na escolha de carreira aos 17 anos porque simplesmente não nos conhecíamos o suficiente com essa idade para escolher. A gente acha que vai dominar o mundo aos 17 anos. Acreditamos que vamos tirar de letra qualquer coisa. Mas a realidade não é bem assim. Tem coisas das quais não queremos abrir mão, seja do nosso tempo, do nosso jeito, do que acreditamos, ou de quem nós somos.

E mesmo que a gente se conheça super bem aos 17 anos e inicialmente goste do que escolhemos, isso pode mudar com o tempo. Isso porque nós mesmos vamos mudando ao longo dos anos – e ainda bem! Imagina se fôssemos as mesmas pessoas dos 17 aos 90 anos, que utilidade nossa vida teria pra quem ela mais importa: nós mesmos? Só que a medida que mudam nossos valores, interesses, desejos, estilo de vida, isso impacta no quanto gostamos do nosso trabalho também.

Se conhecer passa por entender o que é importante pra gente, do que precisamos pra viver, quais são nossos sonhos, no que somos bons, pelo que as pessoas nos reconhecem, qual é o estilo de vida que queremos ter, e que conhecimentos temos ou temos vontade de aprender. Se tivermos ajuda esse processo é ainda mais rico, porque muitas vezes o outro consegue ver as coisas muito melhor do que a gente, e nos traz luz para questões que dificilmente conseguiríamos perceber sozinhos.

 

Não conhecemos a nova área o suficiente antes de mudar

 

Outras vezes, nós nos conhecemos o suficiente (se é que um dia nos conhecemos o suficiente!) para tomar uma decisão de carreira, mas não conhecemos a área onde vamos trabalhar.

Eu fico batendo nessa tecla com os meus coachees, mas é porque realmente acredito nisso. E esse é um tema tão caro pra mim porque foi o ponto crucial da minha própria decepção com a carreira. Muitas vezes a gente não gosta do que faz não é por causa do que faz efetivamente, digamos que da parte operacional da coisa, mas sim porque não gostamos da cultura da área, do perfil das pessoas que trabalham nela, ou do estilo de vida que ela nos impõe.

Provavelmente alguns de vocês estão pensando agora: “Ah, mas a cultura varia de empresa para empresa!” Isso é verdade, mas se você observar uma grande corporação, verá que áreas diferentes têm pessoas com perfis bem diferentes, e isso influencia os assuntos que elas conversam durante o trabalho, o ritmo que elas trabalham, indo até os horários de chegar no trabalho e ir embora. Além disso, pode ser que a grande maioria das vagas na sua área esteja em um determinado tipo de empresa, e aí você terá que se adaptar àquele ambiente específico.

Quando isso acontece a gente fica se culpando, se achando a pior das criaturas, pensando que somos inadequados, mas a verdade é que muitas vezes nós apenas não encontramos a nossa turma. Que no caso está trabalhando em outras coisas.

Tente conhecer pessoas que trabalham na área para a qual você quer migrar, entrevista-las, se possível passar um dia vendo elas trabalharem, fazer um trabalho voluntário nessa área, frequentar cursos onde elas estão, visitar os lugares onde elas trabalham. E quando fizer isso vá com o olhar direcionado para essas questões: Eu gostaria de trabalhar aqui? De ser amiga dessas pessoas? De viver a vida que elas levam? De resolver os problemas que elas têm pra resolver no dia-a-dia? De aprender o que elas precisam saber para fazer um bom trabalho? E leve essas perguntas até o seu nível mais básico: Eu gostaria de usar as roupas que elas usam? De trabalhar nesse prédio gigante e imponente? De acordar tão cedo ou virar noites sem dormir? Não se sinta mal de não querer ficar em uma área por razões tão básicas, você não tem nada de errado por isso, apenas têm gostos diferentes das pessoas que estão ali.

 

 

Não mudamos a própria cabeça para a nova área

 

Se não mudamos o nosso mindset para a nova área, com o tempo a mudança vira meramente uma troca de lugar, e não de vida. Mais do que quais são as habilidades e conhecimentos necessários para se dar bem na nova área, é necessário pensar em quais são os novos comportamentos que precisamos adotar a partir de agora.

Isso é muito claro quando a pessoa quer deixar de ser funcionária em uma empresa para se tornar empreendedora. Saber que não terá todo mês o salário na conta e que a partir de agora você só terá dinheiro se correr atrás é uma mudança de paradigma a que muitas pessoas não conseguem se adaptar. Isso foi uma mudança que eu mesma subestimei quando decidi mudar de carreira, e com a qual tive que aprender a lidar depois. Pra mim hoje é muito claro, nos meses em que eu me esforço mais para divulgar meu trabalho consigo mostrar meu trabalho para mais pessoas e tenho mais clientes, mas nos meses em que por algum motivo não consigo me empenhar tanto para divulga-lo, menos pessoas me procuram. Quando estava aprendendo a lidar com isso, sempre tentava pensar: o que é mais importante pra mim, ter o salário certinho todo mês ou ter uma vida com mais liberdade e fazendo algo que eu amo?

Entender que o fracasso faz parte do processo também é outro desafio. No mundo corporativo os desafios nos são dados para serem cumpridos, mas no empreendedorismo somos nós quem definimos os próprios desafios. E damos muita cabeçada até entender qual é o limite até onde podemos ir. Até porque esse limite muitas vezes muda a cada momento, em virtude da situação econômica e até do amadurecimento do nosso empreendimento que vai ocorrendo aos poucos.

Conversar com pessoas que fizeram essa transição é muito útil nessa hora. Hoje, com as redes sociais, é muito mais fácil encontrar pessoas que passaram pelas mesmas coisas que a gente, e podemos tentar conversar com elas. Existem grupos no Facebook de pessoas que querem mudar de carreira (tenho o Apoio para repensar sua carreira se precisar), grupos de empreendedores, e por aí vai. Essas pessoas podem nos ajudar contando o que elas tiveram que aprender para obter sucesso na sua transição e nos dar insights quanto aos desafios que vamos encontrar.

Sabe aquela frase que diz que você sempre volta diferente de uma viagem? Isso tem que acontecer nessa viagem aqui também. Quais são as mudanças de postura necessárias para você mudar para a área que tanto deseja? São mudanças que você está disposta a fazer? E você quer fazer essas mudanças por si mesma, porque é importante pra você?

 

Não estamos dando certo na nova área

 

Primeiro, é importante definirmos o que “não estamos dando certo” significa pra gente. Especialmente se estivermos empreendendo, no começo é quase certo que teremos mais fracassos do que sucessos. Mas isso não significa que as coisas não estão dando certo. Quando estamos mudando de carreira é importante comemorar as pequenas vitórias, para não desanimar até que as grandes vitórias comecem a acontecer, e isso costuma demorar. Às vezes a gente desiste da transição antes de dar tempo de dar certo. Uma frase atribuída a Thomas Edison fala exatamente sobre isso: “Muitos dos fracassados na vida são pessoas que não sabiam o quão perto estavam do êxito quando desistiram.”

Muitas vezes nossa definição de “não estar dando certo” tem a ver com dinheiro. Tem uma frase que a Andy de Santis falou quando fiz o curso dela “Liberdade Financeira para Inquietos”, que até hoje eu uso como mantra: “Primeiro vem o período de plantar, depois vem o de colher.” Pode ser que você não parta totalmente do zero na nova área, porque se as suas experiências propriamente ditas não servirem, no mínimo a maturidade profissional que você adquiriu ao longo dos anos vai te ajudar. Mas pensa em quanto tempo você demorou para ganhar o que ganha hoje na sua área atual. Não queira ganhar “de cara” na nova área o que levou a vida toda para ganhar na área anterior.

 

Se toda essa conversa te deixou com ainda mais medo do que vem pela frente, lembre-se de Abraham Lincoln: “A melhor maneira de prever o futuro é cria-lo.” Outro dia, conversando com outros coaches, um colega compartilhou uma experiência que fez muito sentido pra mim. Às vezes estamos diante de duas pessoas com as mesmas condições para mudar de carreira e com o mesmo plano de ação, às vezes elas até querem mudar para a mesma área, só que uma delas consegue e a outra não. Por que isso acontece? Será que a energia que colocamos naquilo que estamos nos propondo a fazer pode ditar o sucesso da nossa mudança? Pense nisso.

 

Se você quer criar coragem e diminuir o risco de se arrepender, eu posso te ajudar. Sou coach especializada em mudança de carreira carreira e ajudo pessoas a encontrarem soluções para os desafios da transição. Você pode conhecer melhor meu trabalho pelo meu site e pela página no Facebook.

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