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Como me planejei financeiramente para minha transição de carreira – por Andy de Santis

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É cada vez mais comum receber clientes que me procuram porque não conseguem se libertar da gaiola de ouro de seu trabalho atual. São pessoas que não aguentam mais sua carreira, querem muito realizar mudanças, seguir suas paixões, talentos e vocações, mas estão presas ao aluguel, à mensalidade da escola dos filhos, às parcelas do sofá e tantos outros compromissos financeiros, que ficam com um baita medo de virar a mesa e seguir seus sonhos.

Elas se sentem como se fosse impossível ser feliz no trabalho e alcançar prosperidade financeira ao mesmo tempo. O medo de perder o conforto conquistado trabalhando em algo que odeiam acaba paralisando suas ideias de mudança, e seguem a vida assim, adiando o dia em que finalmente irão se libertar. Essa paralisia acontece principalmente quando já têm uma estrutura familiar mais complexa, como filhos, casa própria, carro, etc.

Confesso que já caí na mesma armadilha e já passei por essa sensação, nas quatro transições de carreira que vivi. Dá medo e trabalho, mas a boa notícia é que se eu consegui fazer tantas mudanças, todas elas depois de casada, com uma filha e uma casa para sustentar, você também consegue. Então, quando a Janaína me pediu para escrever esse post, em vez de ficar ditando regra, decidi compartilhar um pouco da minha experiência, quem sabe ela ajuda você a seguir em frente e não desistir do seu sonho?

Uma das primeiras lições que aprendi foi que mudar de carreira não é algo que se faz da noite para o dia. É um processo, que requer planejamento e paciência. Não dá para queimar etapas, ou quem sai queimado é você. Especialmente quando a sua decisão envolver outras pessoas, filhos, pais, parceiros ou dependentes. Por mais “de saco cheio” que você esteja da vida atual, sua precipitação pode causar impactos sérios na vida deles, então não é recomendável brincar ou se aventurar.

A primeira vez que pensei em fazer uma transição, estava cansada do meu emprego e tinha feito um curso longo de fotografia. Minha vontade era largar tudo para ser fotógrafa. Foi quando comecei a ver pessoas que tiravam seu sustento da fotografia e conversei com uma coach para descobrir, que, na verdade, eu não queria aquilo como profissão e sim, como hobbie, sem compromissos ou cobranças. Ou seja, antes mesmo de começar a planejar a transição, meu primeiro passo foi investir no meu autoconhecimento para buscar respostas para algumas perguntas como: Estou insatisfeita com a profissão que escolhi ou apenas com meu emprego atual? Que contribuição quero trazer para o mundo? O que eu me vejo fazendo daqui a dois ou três anos? Conversar com pessoas que estavam onde eu queria estar e consultar uma profissional de aconselhamento de carreira me ajudaram a reverter uma decisão que não me levaria aonde eu realmente desejava. Se não tivesse feito isso, talvez gastasse tempo, dinheiro e energia à toa. E quando a gente tem poucas balas na agulha, não dá para ficar errando o alvo, certo?

Levou algum tempo para eu descobrir o que realmente queria fazer, mas o fato de saber não significa que consegui fazer a primeira transição imediatamente. Primeiro, foi preciso mapear os recursos necessários para começar essa transição. Precisei descobrir:

O que faltava para atuar profissionalmente na área escolhida? Que conhecimentos novos eu precisaria buscar?

Que cursos, eventos, pessoas, livros poderiam me trazer esse conhecimento?

Quanto tempo, dinheiro e energia precisaria investir para aprender tudo isso?

Quem seriam meus clientes ou empregadores?

Com que redes profissionais eu precisaria me conectar?

Quem poderia indicar oportunidades?

Valeu a pena fazer uma estimativa do que eu precisava investir para dar o primeiro passo.

Depois de mapear o caminho, fui olhar para minhas finanças e novamente busquei responder: está sobrando dinheiro para esse investimento? Se não, o que posso fazer para sobrar? Em que áreas sou capaz de abrir mão de gastos? Em quanto tempo conseguirei juntar o suficiente para investir na minha transição?

Tive que definir qual seria meu campo de segurança necessário para virar a chave. Isso é muito pessoal, alguns precisam de uma reserva financeira equivalente a três meses de suas contas, outros só conseguem se sentir seguros se tiverem acumulado dois anos de contas pagas. Como sou bem conservadora e preocupada com minha família, decidi acumular uma reserva equivalente a 12 meses das minhas despesas. Enquanto isso, fui estudando, fiz mestrado, contatos profissionais, fui mapeando o território. Tive que abrir mão de algumas viagens, passeios, reformas na casa, mas tudo isso fazia parte do processo. Manter o foco é importante.

Outra coisa que precisei fazer foi o seguinte: imaginando que, nos primeiros dois anos do meu novo trabalho, minha renda seria reduzida, calculei quanto dinheiro precisaria ter reservado para sobreviver ao longo desse período. Foi saudável fazer o exercício de revisitar meu padrão de vida para que minhas reservas durassem o máximo de tempo possível. Pensei que seria importante ter bastante fôlego financeiro para seguir adiante, afinal, não queria voltar atrás na minha decisão e buscar minha antiga zona de conforto.

Depois de dois anos estudando, fazendo contatos e guardando dinheiro, comecei a experimentar a nova realidade, sem compromisso. Usei horas vagas, noites, finais de semana para testar projetos que eu gostaria de fazer. As primeiras experiências não traziam remuneração, mas fui ganhando vivência, conhecimentos e contatos que seriam úteis quando eu me desligasse totalmente da vida antiga. Posso dizer que fui me libertando aos poucos e com o tempo, meu plano B foi virando o plano A, até que finalmente, em outubro de 2013, depois de 4 anos investindo, finalmente virei a chave. Saí de uma instituição financeira, onde tinha salário fixo, comissão de cargo, benefícios, seguro de vida, saúde, etc. para montar minha própria microempresa e trabalhar por conta própria.

Desde então, já se passaram três anos e várias outros desafios foram aparecendo no caminho: lidar com a renda variável, administrar a ansiedade de ficar certos períodos sem renda nenhuma, ou ao contrário, segurar a vontade de sair comprando nas horas em que entram projetos grandes e eu recebo 10 vezes a renda que estava acostumada, entender que as coisas têm um tempo para acontecer e que os frutos às vezes demoram para ser colhidos, dizer não para projetos que pagam bem mas que não estão ligados a meu propósito (afinal, foi para isso que fiz a transição, certo?), equilibrar vida pessoal e trabalho, entre outros dilemas que surgiram e ainda surgem todos os dias.

Hoje posso dizer que sou feliz a cada projeto entregue, nota faturada, desafio superado. E minha história de vida, junto com as histórias de tantas pessoas que venho auxiliando nesses três anos, revelam quanta riqueza se pode encontrar quando investimos em uma transição de carreira planejada. Vale cada moeda, minuto e gota de suor. Espero que essa história tenha inspirado você a persistir na busca de mais significado em seu trabalho. E se precisar de ajuda para construir o plano financeiro para sua transição de carreira, conte comigo.

Andy de Santis é educadora, autora, consultora financeira pessoal, fundadora do projeto Dinheiro na Roda e parceira de planejamento financeiro do Apoio para Repensar sua Carreira.