Desafio 21 dias para repensar sua carreira

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Você sabe o que é coaching? Isso funciona mesmo? O que acontece em uma sessão?

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10 dicas para você alcançar seus objetivos de ano novo – ainda esse ano!

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8 cursos para empreendedores não convencionais

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25 pequenas coisas que consegui mudar na minha vida quando saí do mundo corporativo

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Como definir um objetivo de carreira — e alcança-lo!

Como definir um objetivo de carreira — e alcança-lo!

Fiz esse post porque algumas pessoas me escreveram através do meu site e da página no Facebook, pedindo que eu falasse sobre como definir um objetivo de carreira e como correr atrás dele. Então vou compartilhar aqui o processo que eu sigo com meus coachees no encontro em que vamos definir seus objetivos de carreira.

Antes de começar, é importante eu te dizer que nos processos de coaching, antes disso fazemos toda uma investigação que embasa essa decisão da escolha do objetivo, que pode conter um entendimento do que a pessoa já tem ou precisa desenvolver em termos de conhecimentos, competências, habilidades e experiências para buscar esse objetivo. Se estivermos falando de uma decisão por qual carreira seguir, essa investigação contem ainda a tomada de consciência da pessoa em relação a quais são os seus valores, necessidades, recursos que ela tem para ir atrás desse objetivo, habilidades, gostos e sonhos que ela carrega consigo.

Dito isso, mãos à obra!

Objetivo é o que você quer atingir efetivamente, aonde você quer chegar. Quando falamos de definir um objetivo de carreira, digamos que você não sabe o que gostaria de fazer na carreira, então pode pensar no que já tem de conhecimento e experiências que poderia utilizar para construir algo que dá dinheiro, e decidir para qual área seguir a partir daí.

Quando definir o seu objetivo, antes de sair fazendo qualquer coisa é importante você ter certeza de que quer realiza-lo de verdade e de que só depende de você pra ele se concretizar. Você pode fazer isso se fazendo algumas perguntas:

O objetivo foi formulado com base no que você quer? Isso significa que ele tem que ser positivo, não pode ser negativo do tipo “eu não quero X”.

O objetivo está 100% na sua mão? Não adianta se definir objetivos que as ações para alcança-lo tenham que ser executadas por outras pessoas. Sabe quando na empresa o seu chefe fica te dando tarefas que dependem de um monte de gente além de você? Não é super difícil pra conseguir entregar? É isso.

É autoiniciado? Traduzindo: é você ou no fundo é outra pessoa que quer? Por exemplo, muitos de nós escolhemos nossas carreiras influenciados por nossos pais, seja por pressão familiar para ter uma profissão decente, facilidade para se colocar no mercado através dos contatos da família, e por aí vai. Essa ‘outra pessoa’ nesse caso também pode ser o mercado, quando escolhemos uma profissão apenas porque dá dinheiro.

Se eu atingir esse objetivo, estarei fazendo algo em que acredito? Aumentarei as chances de poder ser mais ‘eu mesma’ no meu trabalho? Terei mais daquilo que eu quero para a minha vida? Aumentarei as chances de me libertar daquilo que não quero para a minha vida?

Após definir o objetivo, precisamos estipular uma meta para ele. A meta é um número que, quando atingirmos, saberemos que conseguimos nosso objetivo. Para isso, deve ser composta por quantidade e prazo. Por exemplo, a sua meta pode ser conseguir 12 clientes em 6 meses para o seu novo negócio.

Quando a meta é muito distante, é importante estabelecer metas intermediárias para não perder o foco, não acabar simplesmente esquecendo da meta, e para não desanimar com ter que fazer algo tão grande. No exemplo acima, uma meta intermediária poderia ser conseguir 2 clientes por mês.

Já temos objetivo e meta. Agora é hora de fazer o que chamamos de verificação ecológica, que consiste em olhar para suas decisões de maneira saudável, avaliando o impacto delas em todas as áreas da sua vida. A verificação ecológica é importante porque, quando promovemos mudanças em uma área às custas de outra, é provável que a mudança não dure muito. Além disso, a definição de objetivos precisa levar em conta o que a pessoa inteira quer, e não apenas a parte que está dominando neste momento. Afinal, queremos que você saia daqui em um lugar melhor, e não pior, do que onde começou. E como fazer isso?

Nos processos de coaching eu convido a pessoa a se fazer algumas perguntas, para cada área da sua vida:

Quais são os prós de eu buscar esse objetivo?

Quais são os contras de eu buscar esse objetivo?

O que eu aguento perder para buscar esse objetivo?

O que eu não aguento perder por esse objetivo?

Qual o impacto nas pessoas de eu buscar esse objetivo?

Quem o julgamento me incomoda? Eu quero dar a eles esse poder?

Após ela responder, juntos nós checamos se ela levou em consideração todas as áreas da sua vida, que eu divido em: Lazer, Finanças, Profissional, Intelectual, Íntima (você consigo mesma), Espiritual, Física (saúde e aparência), Família e Relacionamentos Sociais.

E agora? O objetivo se manteve intacto ou sofreu alteração?

Agora que lapidamos o objetivo, precisamos de um plano de ação para alcança-lo. O plano de ação é uma lista das ações concretas que vamos executar para alcançar nosso objetivo e quando vamos realizar cada uma, a fim de bater a nossa meta no prazo que definimos.

Quando queremos alguma coisa muitas vezes não sabemos muito bem o caminho das pedras, o que precisamos fazer efetivamente para chegar aonde queremos. Uma forma de buscar inspiração para fazer o plano é tentar identificar no seu convívio pessoas que conseguiram aquilo que você quer ou algo próximo disso, e mapear o passo a passo que elas adotaram para conseguir. Pode ser que você já saiba esse passo a passo, senão que tal chama-la para um café, contar o seu plano e perguntar como ela fez para chegar lá?

Outra forma de se conseguir inspiração para estruturar o plano é tentar lembrar se teve alguma situação do passado que você já precisou fazer algo semelhante, e no que você fez na prática para conseguir isso. Por exemplo, se você quer passar em um concurso público, quando foi no passado que você teve um objetivo parecido? Quando fez vestibular, talvez? E o que você fez para conseguir?

Se não tiver um exemplo seu nem de pessoas próximas, você pode ainda se colocar no futuro. Tente pensar como se você já tivesse conseguido o que quer, e ‘lembrar-se’ do que fez para chegar lá. Confesso que essa estratégia não funciona muito bem comigo, mas por incrível que pareça (pelo menos pra mim) dá super certo com muita gente! rs

Às vezes me deparo com pessoas que não dão muito valor para o plano de ação, seja porque já tem uma ação na cabeça e acham que só precisam dela para fazer acontecer ou porque simplesmente têm preguiça de pensar nisso, acham excesso de organização. Se você for uma dessas pessoas, lembre-se que o sucesso não está no objetivo final, está no caminho – ele é apenas consequência. E o caminho que você vai percorrer é fruto do seu plano.

Agora vamos à elaboração do plano propriamente dito. Como disse antes, o plano nada mais é do que uma lista do que você vai fazer para correr atrás do seu objetivo. Pesquisando na internet você vai encontrar dezenas de padrões de plano de ação com níveis de complexidade bastante diferentes, mas para o nosso caso aqui eu acredito em um plano com 3 colunas: Ação / Lifeline / Status (já fiz, estou fazendo ou nem comecei).

Ação é o que você vai fazer efetivamente. Garanta que TODAS as ações dessa lista podem ser realizadas inteiramente por você. Se precisa que outra pessoa faça algo, não adianta colocar na ação “Pagar o cursinho” se o seu pai não souber que você conta com isso e se você não souber se ele pode ajudar. Então escreva na ação “Pedir ajuda do meu pai para ele pagar o cursinho”.

Lifeline é o que as empresas costumam chamar de deadline. O escritor Tal Ben Shahar (professor de Psicologia Positiva em Harvard) diz que quando estamos fazendo algo que realmente queremos fazer, nossos prazos são lifelines e não deadlines, porque ele entende que quando estamos fazendo algo que produz benefícios presentes e futuros, estamos a dar vida e não a matar o tempo. Pra mim fez todo sentido, então roubei o termo que ele criou para o nosso plano de ação.

A coluna de Status é a que você vai ficar atualizando toda semana com o andamento das ações.

Garanta que seu plano contenha recompensas para as pequenas vitórias, quem sabe no atingimento das metas intermediárias? Charles Duhigg (O poder do hábito) descobriu que todo hábito segue um ciclo padrão: esse ciclo sempre começa com uma deixa, ou seja, um gatilho que desperta a a rotina daquele hábito em particular. Essa rotina gera alguma recompensa que faz que com continuemos nesse ciclo tornando esse hábito cada vez mais presente no nosso comportamento diário. Assim, por exemplo, se toda vez que saímos de um dia de trabalho intenso e cansativo, resolvemos comer um chocolate para compensar o bom trabalho que fizemos e isso nos gera uma recompensa positiva, é provável que a gente passe a repetir isso até se tornar um hábito que, antes uma escolha consciente, já passa a ser um comportamento automático. Então, qual é a recompensa que você verá na execução do seu plano?

É importante não perder o embalo um só dia, senão a gente amolece e desiste – é igual academia de ginástica, se você deixa de ir um dia logo no começo, a chance de começar a não ir cada vez mais até desistir é grande. Seu plano tem ações para serem iniciadas amanhã mesmo? Então coloque uma já!

Outras coisas importantes que seu plano deve conter:

O que você precisa desenvolver em si mesmo para alcançar este objetivo (comportamentos / habilidades / conhecimentos / experiências)? Como buscar isso?

Como vou me certificar que coloquei o plano em prática? Como vou lembrar das ações que tenho que fazer? Aqui estamos falando de coisas bem simples, no meu caso é manter uma lista em um post it na área de trabalho do meu computador.

O que vou pensar ou fazer para me motivar? Pelo amor de Deus não pule essa pergunta! Muitas vezes não temos o apoio de ninguém para buscar o nosso objetivo, isso é comum quando queremos empreender por exemplo. Então é importante ter consciência de que vamos precisar nos automotivar e pensar em como podemos fazer isso.

Para cada ação do plano, pense se essa é a melhor ou a única forma de fazer isso, ou existem outras formas de fazer isso que poderiam ser ainda melhores? Aqui vale voltar na verificação ecológica e pensar em como reduzir ou eliminar os impactos que o seu objetivo pode causar nas várias áreas da sua vida.

Como posso tornar isso mais divertido / mais simples / mais tranquilo? Essas reflexões são importantes para tentar não se pressionar tanto, porque senão daqui a pouco você está no mesmo estado de stress em que estava antes de começar sua busca e não consegue curtir o processo.

Faça também um plano de não ação. Hein? Calma, vou explicar. rs Aqui é o que eu vou deixar de fazer para alcançar esse objetivo? Se o seu objetivo é mudar para a área de educação física, talvez não faça mais sentido continuar aquele MBA em Finanças e você deva trancá-lo para ter mais tempo pra se dedicar à nova área. Não se esqueça que a não ação também deve ter um prazo: até quando vou deixar de fazer isso para conseguir meu objetivo?

Pense nas pessoas que são importantes pra você. Não adianta nada você brigar com todo mundo porque está estressado estudando pra um concurso e ter que comemorar sozinho quando finalmente passar. Quais são as minhas principais necessidades de apoio? Como vou buscar esse apoio? Quem serão os maiores impactados pela minha transição? Como posso reduzir o impacto negativo?

Está acabando! Pra finalizar, vamos fazer um plano de contingência. Vou explicar como se faz isso.

Leia tudo o que você listou no seu plano. De 1 a 10, o quanto você se sente pronto para tirar esse plano do papel? E o que falta para ser 10? Esses são os obstáculos que você terá de enfrentar. Provavelmente surgirão outros ainda no meio do caminho, mas esses são os que você consegue antecipar. Outra forma de antecipar obstáculos é mostrar o seu plano para algumas pessoas que você confia e perguntar que dificuldades elas vêem para coloca-lo em prática. Para cada um desses obstáculos, reflita: O que posso fazer para reduzir o risco de esse problema ocorrer? O que posso fazer para ultrapassar esse problema caso ele ocorra?

Sei que parece complicado, mas é só nas primeiras vezes. Com o tempo você grava o processo faz um plano rapidinho, consultores fazem um plano completo em poucas horas. E estou falando de um plano para um objetivo complexo de carreira, como uma mudança de carreira ou um analista virar gerente em dois anos. Decisões do dia a dia não precisam de planos assim.

Pra te ajudar, fiz um esquema resumindo tudo:

Pronto! Você tem um objetivo e um plano de ação para alcança-lo! E mais do que isso, tem um norte, um caminho a seguir que faz sentido, que te coloca como protagonista da própria história, que não vai te deixar ir aonde o vento leva. Parece um motivo bastante justo pra ter esse trabalho, não?

E se precisar de ajuda nessa jornada, conte comigo! Você pode me encontrar pelo meu site ou pela página no Facebook.

O que autoconhecimento tem a ver com empreendedorismo

O que autoconhecimento tem a ver com empreendedorismo

Quando você ouve falar em autoconhecimento pensa em que? Livros de auto ajuda? Meditação? Terapia? Ano sabático? Retiro espiritual? E você sabe que essa palavra também significa identificar seus pontos fortes e fracos, saber exatamente o que você gosta e não gosta, no que você é bom ou não é bom, no que você acredita, do que você precisa pra viver, aproximar a visão que tem de si mesmo da visão que os outros têm de você? E que isso é essencial pra que você consiga fazer escolhas melhores, mais alinhadas com quem você é de verdade, e assim ser mais feliz?

Inclusive na sua carreira. Aliás é a falta dele que faz com que muitos de nós escolha carreiras erradas aos 17 anos: A gente simplesmente não se conhece o suficiente pra escolher. Um exemplo pessoal e bem bobo, mas que no meu caso pode ser extrapolado para muitas outras coisas, é que quando decidi que queria trabalhar em consultoria e assim fui fazer administração, eu achava que ia achar o máximo usar roupa social e andar chique e maquiada todo dia. Até que percebi que me sentia outra pessoa usando roupa social, me achava melhor sem do que com maquiagem, e apenas não conseguia escolher sapato de salto alto, porque todos pareciam extremamente desconfortáveis pra mim.

Você dificilmente conseguirá fazer algo (inclusive um negócio) dar certo por muito tempo que não tenha a ver com você. É a mesma coisa que entrar em um trabalho tentando parecer ser algo que não é, logo logo a máscara cai e/ou você não aguenta o tranco. E aqui nem estou falando de tentar enganar a empresa não, estou falando de coisas bem mais simples e que todos nós fazemos em algum momento, como achar que vai ficar bem em um trabalho super puxado quando na nossa vida nos preocupamos com a qualidade de vida.

Muitas pessoas adorariam ter seu próprio negócio mas não sabem o que gostariam de fazer. Quem já passou por outros posts meus já leu que você produzir algo que antes de resolver um problema do mundo, resolva um problema seu também – porque se é um problema pra você, certamente será pra mais gente. Só que no início dos processos de coaching, algumas vezes já pedi para as pessoas fazerem listas de quais são os seus problemas atuais, as suas dificuldades, no que a sua vida poderia ser mais fácil. E por incrível que pareça a maioria não conseguia listar nada ou quase nada. Não porque não tinha problemas ou dificuldades na vida, mas porque se acostumou com aquilo de tal forma que não percebia mais, ainda que a incomodasse. Então fica difícil saber que problema do mundo gostaria de resolver, quando você não sabe sequer quais são os seus próprios problemas.

Hoje em dia existem “n” formas de se fazer qualquer coisa, mas você já notou que tem coisas que dão super certo com umas pessoas, aí outra pessoa faz igualzinho e não dá certo? Você precisa se conhecer para dar a sua cara para o que faz. Pra decidir o que vai vender, com quais meios de divulgação vai se sentir confortável, como vai se apresentar sendo você mesmo, com quem você vê sentido em se unir, qual público quer atender.

É se conhecendo que você vai achar o seu jeito de ter sucesso. Resolver as coisas de maneiras menos sofridas pra você, que fluam mais, tornar a rotina mais agradável, ficar com o que faz bem feito e delegar o que não faz bem, saber com o que consegue lidar, evitar erros. Quando comecei a empreender eu tinha muito bloqueio com divulgar meu trabalho, porque o marketing me transmitia uma idéia de falsidade e porque não tenho habilidades comerciais muito desenvolvidas. Então fui atrás de outras formas de divulgação até que descobri o marketing de conteúdo, comecei a estudar o assunto, a entrar em contato com gente que divulga o seu trabalho dessa forma, e assim consigo divulgar meu trabalho de uma forma mais alinhada com o meu jeito de ser e o que eu acredito.

Pra piorar ainda mais a situação, há uma tendência no empreendedorismo de as pessoas quererem conhecer o empreendedor por trás da marca. Não querem mais sentir que elas são seres pequenininhos falando com uma organização gigante, querem falar de pessoa pra pessoa, falar com alguém que as entende, que passou pelas mesmas coisas que elas, e que tem flexibilidade e vontade sincera de ajuda-la a atender a sua necessidade. Querem saber como você é e o que tem de especial que te levou a criar aquele negócio tão bacana. Isso torna ainda mais relevante você se conhecer pra empreender, porque imagina se você criou um negócio que não tem lá muito a sua cara, aí o possível cliente tem contato com essa imagem que você está transmitindo, te procura pra conhecer seu produto ou serviço, vocês marcam de conversar, se conhecem e… nada acontece. Isso acontece muitas vezes não porque o seu produto em si não é bom, mas porque você não é aquilo que vende, e isso afasta as pessoas. Você já viu alguém dizer que prefere não conhecer o artista que fez a obra, pra não quebrar o encanto? É por medo de que aconteça isso.

Não faz sentido deixar o mundo corporativo porque, em outros fatores, não quer mais ser uma pessoa diferente em casa e no trabalho, e ir abrir um negócio para fazer o mesmo. É importante você se enxergar em tudo o que faz, que você consiga ver tudo no seu trabalho como uma produção sua, da qual você se orgulha por mais simples que seja, apenas porque é seu.

Uma vez falando sobre isso uma pessoa perguntou: “Mas Jana, isso não faz com que você não queira se adaptar a nada, que tudo tenha que ser do seu jeito? Não vai acabar te mantendo na sua zona de conforto?” A minha resposta é que não, por várias razões. A primeira delas é porque te obriga a ser mais criativo, porque isso reduz a possibilidade de usar receitas prontas (vide o exemplo acima da minha relação com o marketing). A segunda é porque te provoca a aumentar cada vez mais o seu autoconhecimento, buscar aprender, estudar, se testar, experimentar, pra saber o que consegue fazer bem, o que prefere fazer, o que dará mais certo ou não. A terceira é que se conhecer é encontrar o seu lado bom e o ruim, e descobrir no que você não é bom, o que não vai dar certo se ficar na sua mão, que do jeito que você mais acreditava talvez não dê certo, pode ser um aprendizado bastante duro.

Mas depois de tudo isso o que pode acontecer é você aumentar a sua zona de conforto a medida que se conhece mais. Vou explicar. Quando nos conhecemos pouco tudo nos causa medo, porque nunca estamos na zona de conforto, tudo é diferente, estranho, não sabemos como lidar com nenhuma situação. A adolescência tem muito disso, e olha que sofrimento que é pra maioria de nós. Porém, quanto mais nos conhecemos, nos sentimos à vontade em mais situações diferentes, porque sabemos como vamos e como devemos reagir. Ou seja, expandimos a nossa zona de conforto.

Mas como se autoconhecer, como provocar isso, não deixar ao acaso? Algumas formas são tendo experiências de vida, definindo desafios e metas e analisando como você lida com o processo, viajando, fazendo coisas pela primeira vez periodicamente, conversando com pessoas de áreas diferentes da sua, fazendo terapia e coaching se fizer sentido, lendo livros de temas diferentes dos que você já conhece, pedindo e ouvindo feedbacks, e tirando tempo pra pensar sobre tudo isso (e aqui vale até escrever, eu por exemplo penso escrevendo).

E se você sentir que precisa de ajuda nessa jornada, conte comigo. Sou coach especializada em transição de carreira, e ajudo pessoas a definir um rumo para suas carreiras através do autoconhecimento. Você pode conhecer um pouco mais do meu trabalho e me escrever pelo meu site ou pelo Facebook.

Eu sou geração Y sim, e daí?

Eu sou geração Y sim, e daí?

Nós temos a má fama de que não queremos trabalhar, de que trocamos de emprego toda hora, de que queremos tudo fácil, de que somos frescos e não queremos fazer qualquer coisa. Sei como é, eu também nasci entre 1980 e 2000.

E como muitos de nós, principalmente os que nasceram logo no começo dessa geração, tentei me encaixar no mesmo padrão de trabalho dos nossos pais. Procurei um emprego convencional em uma grande corporação, consegui, fiquei 7 anos na mesma empresa e vinha crescendo na carreira. Sempre achando que quando eu conseguisse crescer na carreira, aí sim meu amigo, tudo vai ser diferente e eu vou ser feliz. O problema começou quando, quanto mais eu crescia, mais trabalhava, mais eu percebia coisas das quais não gostava nas organizações, mais eu tinha que ficar quieta e dar graças a Deus por ter um bom emprego, por mais injustas que as coisas fossem.

Ah, mas largar tudo é fácil pra quem tem muito dinheiro. Eu não tenho muito dinheiro. Nasci em uma família bastante humilde e não fiquei rica com esse trabalho. O desconforto está aí pra todo mundo, não tem a ver com dinheiro. Tem a ver com valores.

Não me considero uma pessoa que não gosta de trabalhar. Trabalhava cerca de 12 horas por dia e acordava 5h30 da manhã para conseguir ir para a academia e fazer alguma coisa por mim além de dormir. Hoje trabalho em meu próprio negócio, e quem tem ou teve empresa sabe que trabalhar por conta é batalhar muito a cada dia para sobreviver.

Considero um movimento importante as pessoas começarem a se preocupar com qualidade de vida. Ninguém está pedindo pra trabalhar menos horas do que é pago pra fazer. Mas não é justo sermos pagos por 8 horas por dia e trabalhamos 12. Se continuar assim nossos filhos serão pagos por 8 horas e vão trabalhar 15. Que bom que alguém está incomodado com isso. Não vejo outra forma de se começar uma humanização nas organizações, se não for através do desconforto das próprias pessoas que trabalham nelas.

Mas nem todo mundo consegue viver do que ama. Se todo mundo fizer isso, não vai sobrar ninguém para trabalhar nas empresas. Concordo com isso, mas a questão para cada um é se essa é a vida que você quer viver. Quero fazer algo que tenha um significado maior pra mim além de ganhar dinheiro. Quero chegar no fim da vida e me orgulhar de quem eu fui e do que eu fiz com ela. Estudei muito pra isso, pra poder escolher entre profissões, formatos de trabalho, e entre trabalhos também.

É, mas vocês só querem fazer o que gostam e a vida não é só fazer o que se gosta. É? Ninguém está dizendo que fazer o que se ama é ter prazer o tempo todo, claro que todo trabalho tem partes chatas e que quase nenhum de nós vai viver como um nômade digital, trabalhando com o computador no colo na beira de uma praia paradisíaca em outro país. Digo isso porque trabalho como coach especializada em mudança de carreira, então converso muito com pessoas que querem mudar de área ou de formato de trabalho (alguém que atua no mundo corporativo e quer empreender por exemplo). Nunca alguém chegou até mim dizendo que queria isso. Já vi pessoas que queriam ter um negócio online, trabalhar em casa, mas geralmente porque queriam se dedicar mais aos seus filhos. Qualquer motivo para mim é um motivo justo, mas digamos que esse atende até a quem não é da geração Y.

E queremos tudo rápído, de preferência pra ontem. Queremos resolver tudo agora, ter tudo agora, falar com todo mundo agora. Concordo e sei que isso em casos mais extremos nos leva a muita ansiedade, não conseguimos mais esperar. Isso prejudica nossa capacidade de concentração e até nossas relações. Mas vendo por um lado positivo, tentamos o tempo todo encontrar formas de fazer as coisas mais rápido, ficamos ainda que online muito mais próximos dos nossos amigos, não temos paciência para sermos enrolados. De fato precisamos equilibrar isso, mas as grandes mudanças vêm assim mesmo, começam em um extremo, vão até o outro extremo, para ao final encontrar o meio termo ideal.

Boa parte das pessoas que conheço que fizeram escolhas por trabalhos com mais significado são empreendedores ou profissionais liberais. E normalmente isso significa trabalhar mais e não menos. Significa fazer conta o tempo todo para não ficar sem dinheiro. Procurar trabalho quase que diariamente. Seria muito mais fácil procurar um emprego e ficar na mesma empresa o resto da vida. Quer dizer, estamos dificultando a própria vida por essa causa.

Querer ficar mais tempo com seus filhos, ter uma vida mais equilibrada, construir negócios do zero mesmo correndo riscos, construir uma vida com mais significado, não se sujeitar a regimes que nos exploram, não me parecem atitudes de quem não tem juízo. Pelo contrário.

Como me planejei financeiramente para minha transição de carreira – por Andy de Santis

Como me planejei financeiramente para minha transição de carreira – por Andy de Santis

É cada vez mais comum receber clientes que me procuram porque não conseguem se libertar da gaiola de ouro de seu trabalho atual. São pessoas que não aguentam mais sua carreira, querem muito realizar mudanças, seguir suas paixões, talentos e vocações, mas estão presas ao aluguel, à mensalidade da escola dos filhos, às parcelas do sofá e tantos outros compromissos financeiros, que ficam com um baita medo de virar a mesa e seguir seus sonhos.

Elas se sentem como se fosse impossível ser feliz no trabalho e alcançar prosperidade financeira ao mesmo tempo. O medo de perder o conforto conquistado trabalhando em algo que odeiam acaba paralisando suas ideias de mudança, e seguem a vida assim, adiando o dia em que finalmente irão se libertar. Essa paralisia acontece principalmente quando já têm uma estrutura familiar mais complexa, como filhos, casa própria, carro, etc.

Confesso que já caí na mesma armadilha e já passei por essa sensação, nas quatro transições de carreira que vivi. Dá medo e trabalho, mas a boa notícia é que se eu consegui fazer tantas mudanças, todas elas depois de casada, com uma filha e uma casa para sustentar, você também consegue. Então, quando a Janaína me pediu para escrever esse post, em vez de ficar ditando regra, decidi compartilhar um pouco da minha experiência, quem sabe ela ajuda você a seguir em frente e não desistir do seu sonho?

Uma das primeiras lições que aprendi foi que mudar de carreira não é algo que se faz da noite para o dia. É um processo, que requer planejamento e paciência. Não dá para queimar etapas, ou quem sai queimado é você. Especialmente quando a sua decisão envolver outras pessoas, filhos, pais, parceiros ou dependentes. Por mais “de saco cheio” que você esteja da vida atual, sua precipitação pode causar impactos sérios na vida deles, então não é recomendável brincar ou se aventurar.

A primeira vez que pensei em fazer uma transição, estava cansada do meu emprego e tinha feito um curso longo de fotografia. Minha vontade era largar tudo para ser fotógrafa. Foi quando comecei a ver pessoas que tiravam seu sustento da fotografia e conversei com uma coach para descobrir, que, na verdade, eu não queria aquilo como profissão e sim, como hobbie, sem compromissos ou cobranças. Ou seja, antes mesmo de começar a planejar a transição, meu primeiro passo foi investir no meu autoconhecimento para buscar respostas para algumas perguntas como: Estou insatisfeita com a profissão que escolhi ou apenas com meu emprego atual? Que contribuição quero trazer para o mundo? O que eu me vejo fazendo daqui a dois ou três anos? Conversar com pessoas que estavam onde eu queria estar e consultar uma profissional de aconselhamento de carreira me ajudaram a reverter uma decisão que não me levaria aonde eu realmente desejava. Se não tivesse feito isso, talvez gastasse tempo, dinheiro e energia à toa. E quando a gente tem poucas balas na agulha, não dá para ficar errando o alvo, certo?

Levou algum tempo para eu descobrir o que realmente queria fazer, mas o fato de saber não significa que consegui fazer a primeira transição imediatamente. Primeiro, foi preciso mapear os recursos necessários para começar essa transição. Precisei descobrir:

O que faltava para atuar profissionalmente na área escolhida? Que conhecimentos novos eu precisaria buscar?

Que cursos, eventos, pessoas, livros poderiam me trazer esse conhecimento?

Quanto tempo, dinheiro e energia precisaria investir para aprender tudo isso?

Quem seriam meus clientes ou empregadores?

Com que redes profissionais eu precisaria me conectar?

Quem poderia indicar oportunidades?

Valeu a pena fazer uma estimativa do que eu precisava investir para dar o primeiro passo.

Depois de mapear o caminho, fui olhar para minhas finanças e novamente busquei responder: está sobrando dinheiro para esse investimento? Se não, o que posso fazer para sobrar? Em que áreas sou capaz de abrir mão de gastos? Em quanto tempo conseguirei juntar o suficiente para investir na minha transição?

Tive que definir qual seria meu campo de segurança necessário para virar a chave. Isso é muito pessoal, alguns precisam de uma reserva financeira equivalente a três meses de suas contas, outros só conseguem se sentir seguros se tiverem acumulado dois anos de contas pagas. Como sou bem conservadora e preocupada com minha família, decidi acumular uma reserva equivalente a 12 meses das minhas despesas. Enquanto isso, fui estudando, fiz mestrado, contatos profissionais, fui mapeando o território. Tive que abrir mão de algumas viagens, passeios, reformas na casa, mas tudo isso fazia parte do processo. Manter o foco é importante.

Outra coisa que precisei fazer foi o seguinte: imaginando que, nos primeiros dois anos do meu novo trabalho, minha renda seria reduzida, calculei quanto dinheiro precisaria ter reservado para sobreviver ao longo desse período. Foi saudável fazer o exercício de revisitar meu padrão de vida para que minhas reservas durassem o máximo de tempo possível. Pensei que seria importante ter bastante fôlego financeiro para seguir adiante, afinal, não queria voltar atrás na minha decisão e buscar minha antiga zona de conforto.

Depois de dois anos estudando, fazendo contatos e guardando dinheiro, comecei a experimentar a nova realidade, sem compromisso. Usei horas vagas, noites, finais de semana para testar projetos que eu gostaria de fazer. As primeiras experiências não traziam remuneração, mas fui ganhando vivência, conhecimentos e contatos que seriam úteis quando eu me desligasse totalmente da vida antiga. Posso dizer que fui me libertando aos poucos e com o tempo, meu plano B foi virando o plano A, até que finalmente, em outubro de 2013, depois de 4 anos investindo, finalmente virei a chave. Saí de uma instituição financeira, onde tinha salário fixo, comissão de cargo, benefícios, seguro de vida, saúde, etc. para montar minha própria microempresa e trabalhar por conta própria.

Desde então, já se passaram três anos e várias outros desafios foram aparecendo no caminho: lidar com a renda variável, administrar a ansiedade de ficar certos períodos sem renda nenhuma, ou ao contrário, segurar a vontade de sair comprando nas horas em que entram projetos grandes e eu recebo 10 vezes a renda que estava acostumada, entender que as coisas têm um tempo para acontecer e que os frutos às vezes demoram para ser colhidos, dizer não para projetos que pagam bem mas que não estão ligados a meu propósito (afinal, foi para isso que fiz a transição, certo?), equilibrar vida pessoal e trabalho, entre outros dilemas que surgiram e ainda surgem todos os dias.

Hoje posso dizer que sou feliz a cada projeto entregue, nota faturada, desafio superado. E minha história de vida, junto com as histórias de tantas pessoas que venho auxiliando nesses três anos, revelam quanta riqueza se pode encontrar quando investimos em uma transição de carreira planejada. Vale cada moeda, minuto e gota de suor. Espero que essa história tenha inspirado você a persistir na busca de mais significado em seu trabalho. E se precisar de ajuda para construir o plano financeiro para sua transição de carreira, conte comigo.

Andy de Santis é educadora, autora, consultora financeira pessoal, fundadora do projeto Dinheiro na Roda e parceira de planejamento financeiro do Apoio para Repensar sua Carreira.

10 dicas para mudar de carreira sem dinheiro

10 dicas para mudar de carreira sem dinheiro

Dinheiro é a maior dificuldade de 9 entre 10 pessoas que querem mudar de carreira. Mas existem diversas possibilidades que podem ser consideradas por quem quer mudar de carreira mesmo sem grana.

1) Fazer algo na sua área atual que te aproxime do que você quer. Pense em como pode usar as suas habilidades atuais a serviço da área nova. Se você é administrador e quer migrar para a psicologia, por exemplo, pode começar atuando como coach. Quando o coaching te permitir sair do mundo corporativo, você terá tempo e dinheiro para fazer a faculdade de psicologia.
2) Fazer várias coisas em paralelo. Assim, cada projeto pode te dar um pouco de dinheiro, e a soma dos rendimentos com cada projeto te dá o que você precisa pra viver. Médicos fazem isso, trabalham no centro cirúrgico alguns dias, no consultório, no pronto-socorro, em dias e horários diferentes.
3) Começar fazendo a atividade nas horas vagas. Você pode oferecer o seu produto para as pessoas próximas ou mesmo para estabelecimentos próximos da sua casa.
4) Permanecer na sua área atual como freelancer part-time e se dedicar ao que você quer fazer no resto do tempo. É uma alternativa mais arriscada, já que presume que você sairá da sua área atual antes de ter ganhos relevantes na área nova. Mas pode ser uma saída quando você trabalha em uma empresa 16 horas por dia e dificilmente conseguirá mudar de área se ficar no mesmo lugar.
5) Começar na internet, já que as atividades na internet normalmente não exigem horário fixo. Você pode usa-la para vender ou somente para divulgar o seu trabalho. Faça um site, blog, páginas nas redes sociais, utilize os grupos do Facebook para divulgar seu trabalho.
6) Aceitar um trabalho que pague menos na área que você quer. Você terá uma queda no padrão de vida por um período, mas será ótimo para ganhar conhecimento, experiência e fazer contatos, e pode acelerar o seu crescimento na nova área. Pense em quanto tempo você demorou para ganhar o seu salário na área atual, não é razoável querer começar em outra área ganhando a mesma coisa não é mesmo?
7) Cogitar dar aulas do que você sabe fazer, ainda que só por um tempo. Você pode lançar um curso online e criar uma página para divulgar, ou procurar alguma instituição para dar aulas. Isso é comum no meio da fotografia, fotógrafos dão aula em escolas de fotografia ou universidades para obter uma renda fixa.
8) Se você pensa em produzir um produto, faça pequenas quantidades (o que você consegue fazer no seu tempo livre sem enlouquecer) e tente vender no comércio próximo da sua casa, ou mesmo para as pessoas conhecidas. Isso ajuda a testar a receptividade do mercado ao seu produto, e a crescer aos poucos, sem sair do seu trabalho atual.
9) Se tiver condições de economizar e paciência pra esperar, pode ir guardando dinheiro todo mês até que tenha condições de viver algum tempo sem nenhuma fonte de renda. Um tempo seguro para viver sem uma fonte de renda, quando queremos empreender, geralmente são dois anos. Nesse caso, jamais deixe seu dinheiro na poupança, procure renda fixa ou tesouro direto, que garantem uma rentabilidade muito maior a um risco quase zero também.
10) Mas a principal dica na minha opinião é essa: Quando eu consegui as coisas mais difíceis na minha carreira, eu simplesmente não cogitei voltar atrás. Tiveram vezes que deu tudo errado no meio do caminho, mas eu agi o tempo todo como se voltar atrás não fosse uma possibilidade, não pensei nisso, não considerei como plano B, não quis ler os momentos mais difíceis como um sinal de que eu deveria voltar atrás, não quis levar em conta o fato de que o dinheiro estava acabando, nada. Isso pode parecer maluco e até irresponsável para as pessoas mais programadas e que precisam se sentir seguras, mas agir assim me deu um senso de urgência que me fez correr atrás do que eu queria e fazer dar certo. E com o tempo fui percebendo isso na maior parte das pessoas que conseguiram coisas difíceis em suas carreiras, como se inserir em áreas mais difíceis ou mudar de área no meio do caminho. Mesmo que elas não tivessem isso assim tão claro na cabeça, elas faziam isso sem perceber.

Se nenhuma destas opções fez sentido pra você, talvez valha a pena avaliar o quanto realmente quer mudar de carreira. Às vezes quando estou diante de um problema, mesmo quando apresentada a uma grande quantidade de possibilidades de solução, simplesmente não consigo tomar uma decisão. Penso que nenhuma opção serve. Vejo muito isso nos processos de coaching também. Nessas horas me questiono o quanto eu realmente quero sair desse problema, já que ficar nele me parece mais fácil do que qualquer uma das opções.

Lembra do diálogo em Alice no País das Maravilhas, “quando a gente não sabe para aonde vai, qualquer caminho serve”? Ele se aplica ao contrário também, ou seja, quando qualquer ou nenhum caminho serve, é porque a gente não sabe para onde vai.

A morte é um dia que vale a pena viver

A morte é um dia que vale a pena viver

Outro dia estava lendo o livro A morte é um dia que vale a pena viver, da Ana Claudia Quintana Arantes, e ao longo dos seus anos de trabalho com Cuidados Paliativos ela percebeu que um dos 5 maiores arrependimentos que as pessoas têm diante da morte é ter trabalhado tanto. Fiquei tão impactada pelas suas palavras que não tinha como não compartilhar, talvez porque eu mesma já me vi nessas situações embora na época não tivesse conseguido definir de forma tão precisa.

“O que causa o verdadeiro arrependimento é precisar de máscaras para sobreviver no ambiente profissional. Quando existe uma diferença entre quem somos na vida pessoal e quem somos no trabalho, então estamos em apuros. (…) Se só sabemos ser nós mesmos calçando um chinelo, então coloquemos os pés na terra antes que seja tarde e não saibamos mais a diferença entre nossos pés e a sola do sapato. (…) Quando aceitamos um trabalho que se distancie da nossa essência, temos a sensação de tempo desperdiçado, principalmente se preferimos nossa essência ao nosso trabalho. Mas também existe o risco de gostarmos demais de ser aquela pessoa do trabalho, especialmente se só conseguimos pensar em nós mesmos como alguém porque trabalhamos. Essas pessoas podem ser incríveis no trabalho, mas na vida pessoal são um desastre. Quando se aposentam, é como se morressem.” Passei muitos anos da minha vida me sentindo diferente das pessoas do meu meio, achei no começo que era por falta de experiência, mas conforme fui crescendo na carreira essa sensação não passou e percebi que não era só isso. Eu me sentia estranha de roupa social, parecia que nada combinava, e não entendia porque eu simplesmente parecia não ter capacidade para combinar as roupas de trabalho e facilmente me sentia tão bem com as roupas de fim-de-semana. Levou muito tempo até eu perceber que isso ia muito além das roupas, passando pelas conversas do ambiente de trabalho, pelo meu jeito de ser, de pensar, de agir. Basicamente havia uma dualidade entre quem eu era no trabalho e quem eu era fora do trabalho. Eu estava crescendo na carreira, então essa inadequação não parecia ser real. Mas isso não importa, ela era real dentro de mim. E quanto mais eu crescia na carreira, mais essas duas pessoas ficavam diferentes.

Então eu comecei a precisar de cada vez mais lazer para ficar ‘bem’, a fazer cada vez mais atividades para ‘descansar’, a gastar cada vez mais dinheiro para me sentir melhor. “A maior parte de nós passa pelo menos oito horas trabalhando, sem falar do tempo em que buscamos atividades para tentar melhorar o desempenho no trabalho. Meditamos para ter mais atenção, fazemos exercício físico para nos sentirmos melhor, e tudo isso para trabalhar mais. O caminho pode estar certo, mas o motivo para percorrê-lo pode estar errado. Fazer o bem para ser feliz na vida é diferente de fazer o bem para se dar bem no trabalho. Se escolhemos o autocuidado não pelo prazer de receber uma massagem, mas para não ter dor nas costas e, assim, poder trabalhar melhor no dia seguinte, então pode haver algo errado com nossos motivos. Pessoas que orientam sua vida para o trabalho se arrependem, principalmente se o motor for o câncer da humanidade: o medo. Medo de não ter dinheiro, medo de faltar estudo para os filhos, medo de não ter onde morar.” O problema é que se você não toma a decisão de agir de acordo com a sua essência, uma hora a vida fará isso por você. O esforço mesmo que nem seja tanto começa a parecer muito mais do que você tem condições de lidar. Você começa a não conseguir crescer na carreira, a perder o emprego toda hora, a se irritar por qualquer coisa, a ficar doente. É a vida te mostrando que tem alguma coisa errada. E tudo começa a conspirar contra.

“A energia que vem de um trabalho que não faz sentido é ruim, também. Com o dinheiro compraremos comida que vai estragar mais rápido, teremos um carro que vai quebrar a toda hora, entraremos para uma academia que não teremos tempo de frequentar. Comparemos roupas que não usaremos, cursos que esqueceremos. Quando observamos nossa vida e percebemos que vivemos comprando bens que não cumprem sua função de nos fazer viver melhor, pode ser que haja algo errado com a origem do dinheiro. Se ganhamos uma fortuna, compramos um carro e chegamos à nossa casa com cara de zumbis, tem algo errado. Mas a gente segue achando que tudo é normal, que a vida é assim mesmo.

Alguém também já passou por isso?

Autonomia vs trabalho — Ou o que você faz em uma terça-feira qualquer entre as 10h e as 11h30

Autonomia vs trabalho — Ou o que você faz em uma terça-feira qualquer entre as 10h e as 11h30

Vejo que às vezes as pessoas estranham como eu consigo fazer coisas como correr 10k no meio do dia, ou manter uma rotina de corrida, Krav Maga, trabalho, casa, cursos e ainda viajar para visitar minha família ou para eventos do Krav Maga, e fazer tudo direito e bastante.
Nem sempre foi assim. No início da carreira ficava triste porque tinha tempo, mas não tinha dinheiro para fazer nada. Como eu sempre fui uma pessoa que se interessava por uma variedade enorme de temas, pensava: “quando eu tiver dinheiro vou fazer tantas coisas…” O problema é que quando eu comecei e ter dinheiro, não tinha mais tempo. Me matriculava em aulas que não ia, marcava exames e não fazia torcendo pra melhorar sozinha, cheguei a marcar uma viagem que tive que cancelar em cima da hora, me inscrevia em corridas que não conseguia ir simplesmente porque estava cansada demais para levantar da cama. Sentia como se tivesse vendido minha alma.
No início pensava: “Bom, se tem tanta gente que aguenta, eu também aguento.” “É normal, trabalhar é assim mesmo.” Ou ainda: “Eu escolhi crescer na carreira, então esse é o preço que eu tenho que pagar.” “Eu nem trabalho tanto assim.” Mas com o tempo comecei a ter uma doença atrás da outra, às vezes mais de uma ao mesmo tempo, elas começaram a aumentar de gravidade, até que eu finalmente aceitei que talvez não viveria até os 50 se continuasse assim. Realmente tem bastante gente que aguenta, mas tem bastante gente que não aguenta também. E foi bem difícil pra mim aceitar que eu era uma dessas pessoas e abrir mão da minha carreira.
Hoje penso que exceto o salário certinho todo mês na conta, não abri mão de nada. O cargo, a empresa, o status, nada era realmente importante pra mim. E pra falar a verdade tenho até orgulho de ter tido a coragem de abrir mão da antiga carreira, em troca de mim mesma. De ter tido a coragem de ir atrás de um trabalho que fizesse mais sentido pra mim e que me permitisse ter mais autonomia para viver.
O que é óbvio e ao mesmo tempo não é nada óbvio. Apesar de parecer lógico que melhorar a essência, o formato ou mesmo o ambiente do nosso trabalho significa melhorar as nossas vidas, afinal passamos a maior parte do tempo trabalhando, a grande maioria das pessoas não faz isso. E não é fácil mesmo, pra mim não foi também. Porque não sabemos o que gostaríamos de fazer, porque falta coragem, porque a gente carrega uma série de crenças limitantes sobre o trabalho, porque não priorizamos o assunto, ou porque simplesmente temos preguiça de pensar nisso diante de tantas preocupações do dia-a-dia. Em momentos diferentes eu tive todas essas questões me atrapalhando.
Mas finalmente consegui mudar. Troquei os pensamentos anteriores por: “No fim da vida não vou me orgulhar da minha trajetória em nenhum aspecto da vida se continuar assim, e acho que terei dificuldade de lidar com isso.” Então comecei a buscar não só um trabalho que tivesse mais significado pra mim, como que me permitisse viver de forma plena os outros lados da minha vida para construir coisas importantes pra mim nestas áreas também.
Não é que hoje eu trabalhe pouco, trabalho umas 10 horas por dia como a maioria. Mas hoje eu consigo escolher que horas vou fazer isso boa parte do tempo. Trabalho quase a mesma quantidade de horas e tenho a vida igualmente agitada, mas consigo conciliar muito mais o trabalho com os outros lados da minha vida.
Claro que precisamos ganhar dinheiro, mas precisamos buscar sempre formas de fazer isso com equilíbrio. Somos profissionais, pais e mães, maridos e esposas, filhos, amigos, indivíduos, e podemos ainda criar outros lados, quem sabe voluntários, professores, atletas. Quando você deixa um aspecto da vida de canto, mais cedo ou mais tarde ele vai te lembrar que está lá e te forçar a olhar pra ele. E às vezes isso vai vir de formas bem difíceis. Pode vir na forma de doenças, de depressão, da perda de amigos, não construir uma família, e até mesmo você não tendo ninguém pra comemorar quando chegar ao topo da sua carreira.
Agora chegou a hora em que alguém vai falar: “Bonito isso, mas se todas as pessoas resolverem viver dessa forma, não vai ter gente para trabalhar nas grandes empresas.” E isso é verdade. Mas trabalhar nas grandes empresas para o resto da vida é o que você quer fazer?

10 tendências para o mercado de trabalho esse ano

10 tendências para o mercado de trabalho esse ano

Todo início de ano lemos e ouvimos matérias nos meios de comunicação sobre tendências para o mercado de trabalho, e a sensação que eu tenho e talvez você também tenha é que elas são sempre bem parecidas. Esse ano vamos ver as mesmas matérias, mas dessa vez as tendências são bem diferentes.

Isso está acontecendo porque muitas pessoas perderam seus empregos com a crise, e como a média de tempo de recolocação em algumas cidades está chegando a 15 meses, elas optam por empreender. Mas isso também é motivado por quem está do outro lado, pois as empresas estão buscando os mesmos resultados em um contexto muito mais difícil economicamente e com menos gente, e assim acabam pressionando cada vez mais os funcionários que ficaram. Como resultado, muita gente está decidindo abandonar o mundo corporativo porque não está aguentando essa situação.

E olha que interessante, nesse período tão difícil para o mercado de trabalho, as tendências não são ruins. Vamos à lista.

1) Cada vez mais as pessoas preferem comprar produtos e serviços de outras pessoas e não de empresas. E isso vale para todo tipo de produto, de coaching a produtos de limpeza! Isso muda tudo, pois você não precisa ter mais um ponto comercial pra vender, não precisa ter cara de mega empresário, não precisa ser “marketeira”, não precisa ser perfeito, não precisa ter uma grande empresa. É só entrar nas relações comerciais sendo quem você é, colocando a sua cara nas coisas, falando de pessoa pra pessoa, do jeito que você acredita, depositando todo o cuidado e carinho naquele trabalho que foi você que fez. Tem até um grupo que está fazendo bastante sucesso no Facebook chamado Dots, com mais de 500 mil pessoas só de SP, que é justamente de gente querendo comprar de gente, então pessoas oferecem através dele os seus trabalhos, outras procuram alguém que faça um trabalho que elas estejam precisando, é bem legal!

2) Ninguém mais aguenta trabalhos que não fazem sentido, que não tem propósito, que tentam te moldar, que não permitem que você tenha uma vida fora do trabalho. Quando eu me formei na faculdade há 11 anos atrás todo mundo queria fazer carreira em grandes empresas, mas muitos que se formam hoje querem abrir uma empresa ou atuar como profissional liberal. Outro sinal dessa mudança é que, pra você ter idéia, a maioria das pessoas que me procuram atualmente interessadas em fazer coaching é por causa disso.

3) Encarar quem faz trabalhos parecidos com o seu como potenciais parceiros, em vez de concorrentes. Por melhor que você seja no seu trabalho, e tenho certeza que você se esforça muito pra ser o melhor, você não é perfeito. Então você pode fazer um projeto com outra pessoa que faz a mesma coisa, mas que tem talentos complementares ao seu e que são super necessários nesse projeto. Você também pode se inspirar livremente em outras pessoas que fazem o mesmo trabalho, e elas também podem se inspirar em você ao mesmo tempo. Olha como isso é grande, isso pode ser a base para construirmos uma sociedade mais cooperativa e menos competitiva. Nos negócios e na vida.

4) Trabalho tem que ter sentido e não acontecer só pelo dinheiro. Nossos pais e avós ficam meio confusos com esse conceito. Tenha paciência com eles, pra eles isso não era uma opção. Nossa geração é a primeira que pode tentar fazer o que realmente quer. O resultado é que hoje conhecemos pessoas de profissões muito mais variadas, eu mesma tenho uns 3 amigos fotógrafos, uns 2 que trabalham com cinema, 2 que atuam com artes plásticas, 3 que trabalham com causas humanitárias, e por aí vai. E não pense que a vida foi fácil pra eles, alguns vieram de famílias bastante humildes.

5) Está fora de moda ser workaholic. As pessoas vêem a vida de forma mais holística e entendem a importância de viver nossos vários lados. Mas para isso elas precisam ter mais tempo fora do trabalho. Isso tem sido bastante usado pelas empresas para dizer que não entendem essa geração Y, que não queremos trabalhar, mas isso não significa absolutamente ser preguiçoso, significa apenas ser equilibrado.

6) Depois de tanto tempo a gente nas empresas acumulando o máximo de conhecimento possível e muitas vezes acabar fazendo tão pouco com isso, o paradigma começa a mudar, pra tentar fazer muito com o pouco que se tem. Eu como alguém que sempre tem uns 30 livros que ainda não conseguiu ler, não estou de forma alguma dizendo pra não acumularmos conhecimento, mas não precisamos esperar o dia em que estivermos prontos para fazer algo com ele, até porque esse dia nunca vai acontecer. O que você sabe já é o bastante para ajudar alguém que sabe menos do que você naquele assunto, e a pessoa pode estar disposta a pagar por isso.

7) Ter defeitos e errar é normal. Finalmente estamos reconhecendo que todo mundo erra, olha que inovador isso (rs). Mas a verdade é que fazer e errar é melhor do que não fazer nada. O novo mantra das startups é “erre, mas erre rápido”, então bora testar, errar, aprender com os erros, corrigir logo e seguir em frente.

8) Inventar o próprio trabalho é uma possibilidade. Cada vez profissões novas surgem com maior rapidez, e agora elas começam a ser inventadas por pessoas comuns. Criamos produtos, serviços, conteúdos, empresas, formatos de trabalho. Talvez daqui a alguns anos isso se torne até uma necessidade, a medida que a tecnologia nos substitui em diversos trabalhos, cada vez mais pessoas entram anualmente no mercado de trabalho, ou não saiam com o colapso da previdência.

9) Compartilhar conhecimento sobre o que você faz sem cobrar por isso é o novo Marketing. Como o professor Mario Sergio Cortella costuma dizer em suas palestras, conhecimento é uma coisa que quanto mais se compartilha, mais se tem. Se você compartilha pouco esquece de quase tudo que aprendeu, se compartilha muito você grava mais o que aprendeu e ainda aumenta esse conhecimento, porque quem ensina mais o que sabe também recebe mais ensinamentos dos outros. Mostrando o seu conteúdo, você atrai mais pessoas, e muitas delas podem querer te contratar.

10) Se precisamos de alguma coisa, aprendemos a fazer e fazemos sozinhos. Isso é facilitado pela grande quantidade de conhecimento disponível na internet e pela necessidade de empreender com poucos recursos, que é a realidade da maioria dos empreendedores. No máximo descobrimos um amigo que faz o que a gente precisa e pedimos sua ajuda ou fazemos uma parceria. Essa tendência é tão forte que, percebendo essa demanda, têm surgido diversas empresas para facilitar o do-it-yourself, como o Squarespace que ajuda qualquer pessoa, sem nenhum conhecimento de programação, fazer um site de internet em poucas horas.

Resumo da ópera: Por estranho que pareça, só em 2017 a tendência é a gente ter relações mais verdadeiras no trabalho. Já devia ter acontecido faz tempo, né?

Como migrar para áreas não-convencionais

Como migrar para áreas não-convencionais

Muitas pessoas querem seguir carreiras mais restritas como no meio artístico ou em organizações humanitárias, empreender coisas diferentes, ou até mesmo criar seus próprios trabalhos (por que não?). É natural quereremos ter trabalhos mais interessantes, criativos e que ajudem mais as pessoas. Eu tenho uma coachee que descobriu que queria migrar para uma área não convencional, e percebi que muitas vezes a pessoa tem um medo tão grande de tentar que acaba travando e não sai do lugar. Então procurei pessoas que não têm trabalhos comuns para saber como essas pessoas fizeram para conseguir espaço e crescer nessas áreas.

A dica mais comentada foi se preparar, estudar mesmo, seja fazendo outra faculdade (o que nem sempre é viável), ou fazendo cursos, treinamentos online, lendo livros. No começo que você ainda não tem experiência na área nova, o conhecimento será o fator determinante para conseguir trabalho. Tentar descobrir como as pessoas dessa área aprendem o que precisam para trabalhar nela. Avalie se existem opções de trabalho que mesclem os seus conhecimentos e experiências atuais com a área nova, isso possibilita que você possa ir entrando na área nova mais facilmente e aos poucos. É comum profissionais de administração ou engenharia que querem migrar para a psicologia começarem se tornando coaches, carreira na qual podem agregar a experiência antiga com os conhecimentos novos, até que consigam fazer a graduação.

Falando nisso, dependendo da sua escolha pode ser que você tenha que voltar aos bancos escolares e cursar uma nova graduação. Essa é a situação na qual você enfrentará os maiores desafios, financeiros se a faculdade for particular ou se tiver que sair do trabalho para estudar caso a graduação seja durante o dia, tempo para estudar e trabalhar ao mesmo tempo, determinação para ficar mais 4 ou 5 anos na faculdade, e até mesmo de ter colegas muito mais novos do que você.

A segunda dica que mais apareceu foi que não se deve subestimar as oportunidades. Para ingressar em uma área às vezes é mais fácil começar fazendo um trabalho com salário mais baixo ou em uma empresa menor, para ganhar experiência e fazer networking, para mais adiante tentar vôos mais altos.

O maior desafio enfrentado por quem vai para essas áreas é conseguir estabilidade financeira, pois segundo uma das pessoas com quem conversei (e que trabalha na área humanitária), “muitas vezes as oportunidades envolvem contratos apenas temporários e em diferentes locais, o que torna mais difícil um planejamento de longo prazo”. Principalmente no começo, porque quando você ainda não construiu uma história naquela carreira, não se comprometeu com atividades, não investiu muito dinheiro, e não ganhou nada, é mais fácil desistir. Mas ela também trouxe um ponto de vista importante: “Por mais difícil que possa parecer em um primeiro momento, nessas áreas faltam profissionais capacitados para cumprir as funções necessárias.” Justamente por isso, a maioria desiste logo no começo e são poucos os que persistem tempo suficiente para conseguir fazer uma carreira. Muitas das vezes a única garantia que você vai ter é que dificilmente você será muito bem sucedido em uma área que não goste.

Outra dica bastante citada foi mudar de turma, procurar conhecer pessoas da área e fazer uma rede de contatos. E isso pode ser feito batendo na porta mesmo, descobrindo no Facebook ou Linkedin quem trabalha e tem sucesso nessa área e enviando uma mensagem para a pessoa. É legal primeiro descobrir se vocês conhecem pessoas em comum, mas se não tiver tente assim mesmo. Você também pode entrar em contato diretamente com os locais onde esse tipo de profissional costuma trabalhar: por exemplo, se você é fotógrafo, pode entrar em contato com as revistas. Provavelmente se você entrar em contato com 10 pessoas só uma ou duas vão te responder, mas tenha em mente que você só precisa de uma oportunidade de trabalho que te abra portas para as coisas começarem a dar certo.

Na minha área por exemplo, é comum coaches participarem de cursos que outros coaches fazem ou ministram, ou um coach acompanhar outro nas redes sociais e chama-lo para um café. Eu mesma já conheci gente muito bacana, com quem aprendi e ensinei muita coisa, e até firmei parcerias assim. Você também pode começar um blog sobre o assunto (se você acha que não tem conhecimento suficiente leia o post Quanto conhecimento preciso para conseguir fazer algo de bom para o mundo), criar um grupo sobre o tema ou uma página no Facebook, isso pode te ajudar a encontrar pessoas da área que vão começar a te seguir e vão te procurar. Compartilhar conhecimento é uma das melhores formas de se fazer networking.

Tenha bem, bem claro, o que você quer fazer. Para alguns pode parecer estranho, mas muitas pessoas que querem trabalhar em organizações humanitárias por exemplo nem sabem direito o que essas organizações fazem ou o que elas gostariam de fazer lá. Para isso, converse com pessoas que já trabalham na área para entender quais são as possibilidades. Isso te ajuda a definir um objetivo e focar sua busca em um nicho bem específico. E pode ajudar até a conseguir oportunidades, pois quem quer empreender por exemplo terá que explicar o que faz para possíveis clientes. Eu mesma tenho que fazer isso até hoje. 🙂

Às vezes por “n” razões, não podemos fazer exatamente o que gostaríamos, por exemplo se você quer ser uma cantora mas não tem talento para cantar. Mas você cogitar atuar em áreas que te aproximam disso. Uma das pessoas com quem conversei, que trabalha na área de Comunicação de uma grande orquestra, deu um depoimento muito bacana sobre isso: “Sempre quis trabalhar nessa área, pois desde adolescente sinto que a cultura/música tem um poder transformador em nossas vidas. Eu quis trabalhar com isso mesmo não sendo musicista, porque sei que posso fazer música mesmo não estando no palco, viabilizando os processos para que o “produto final” aconteça. Poder oferecer um momento de lazer/prazer pra alguém e fazer-lo (a) esquecer por um instante dos problemas da nossa rotina tão dura e corrida é muito gratificante. Ver o brilho nos olhos de alguém que nunca viu uma orquestra, por exemplo, me motiva a continuar mesmo diante dos dias difíceis.” Depois de uma afirmação dessas, quem seria capaz de dizer que ela não faz música?

Tendo decidido o que fazer, pense no formato de trabalho que você vai ter. Isso não precisa ser estático, pode mudar com o tempo, mas você precisa começar por algum formato. Você pode querer trabalhar em uma empresa, como freelancer, empreender, atuar como profissional liberal ou até nômade digital. Uma saída que é muito adotada por quem trabalha no meio artístico por exemplo é se envolver em vários projetos em paralelo, de forma que cada um te dá um pouco de dinheiro e o valor total é o suficiente pra viver. Voltando ao exemplo da fotografia, você pode dar aulas em uma escola de fotografia ou universidade, garantindo assim uma renda fixa, mas sem comprometer o seu dia de forma que tenha tempo para assumir trabalhos de produção de fotos.

Mas o principal para conseguir permanecer nessas áreas menos convencionais, na verdade é um conselho bem simples. Como resumiu a nossa musicista: “Eu simplesmente (pelo menos até agora) nunca desisti.” Você não precisa não desistir pra sempre. Só precisa não desistir por hoje. Todos os dias.

O que eu penso sobre o meu trabalho

O que eu penso sobre o meu trabalho

Eu acho que esse tipo de trabalho tem que ser feito com muito cuidado, afinal eu estou ajudando uma pessoa a mudar a própria vida. Além disso, fico sempre atenta para encarar as questões de cada um com muito respeito e sem julgamentos, porque se a mudança fosse fácil pra ela, ela já teria feito.

Acredito que o coach deve se colocar como uma pessoa igual a você. Entendo que a maioria das pessoas chega em um processo de coaching fragilizada, angustiada, perdida, essa pessoa não quer se comunicar com uma organização, ou com um ser superior que sabe tudo, ela quer alguém de carne e osso. Por isso tento ser mais pessoal em toda a minha metodologia, forma de tratar os coachees, e até mesmo no meu site e na minha página no Facebook.

Para que eu consiga ajudar efetivamente alguém, primeiro eu mesma preciso estar equilibrada internamente. Claro que eu também tenho problemas como todo mundo, mas preciso ter tempo para cuidar deles e de mim: resolver minhas coisas o mais rápido possível, cuidar da minha saúde, do meu emocional e da minha cabeça. Até pra que eu tenha tempo para me dedicar para cada um e minha cabeça esteja tranquila para focar integralmente nas questões que a pessoa me trouxer.

Entendo que tenho dois grandes compromissos com a pessoa que me contrata. Na primeira parte do processo devo me certificar de que estou ajudando-a a considerar todos os aspectos que envolvem a decisão por uma transição, que não são poucos, e vão dos valores, recursos, habilidades, gostos, passando pelo estilo de vida, quem ela quer se tornar, até quem ela irá impactar e que legado ela quer deixar com a mudança.

A segunda parte tem a ver com o que ela vai fazer a partir do momento em que tomou a decisão. É muito fácil uma transição virar um período árduo, às vezes até traumatizante na vida de uma pessoa. A minha função como coach também é ajuda-la em como passar por esse momento, e a identificar como ele pode ser mais fácil, tranquilo e até divertido.

Tem coaches que sem perceber se preocupam mais com a metodologia do que com o que pode ajudar o coachee. Para não cair nesse erro, procuro ter várias influências diferentes e não só uma, com o objetivo de manter uma mente mais aberta e o foco no que pode ajuda-lo efetivamente. Todo santo dia eu procuro algum conhecimento ou experiência novos que possam me ajudar a ajudar mais as pessoas, e eu até ando com um caderninho e mantenho bloco no celular para anotar as ideias que surgem de repente pra ajudar a solucionar algum problema de um coachee. Por outro lado, não utilizo diversas técnicas de Coaching muito usadas por aí e sei que pago um preço por isso, mas eu não conseguiria vender algo para meus coachees que eu mesma não acredito.

E até por não me ater rigidamente à metodologia padrão para todo mundo, outra coisa que eu prezo é por não lotar a agenda, colocando uma sessão atrás da outra. Considero isso importante para conseguir dar a atenção devida a cada um, não chegar na sessão com a cabeça cheia de coisas e me manter de fato presente naquela conversa. Outro motivo para isso é garantir que terei tempo adequado para planejar previamente cada encontro, e após a sessão anotar os pontos importantes e não esquecer nada.

Fico feliz de verdade quando vejo que consegui impactar positivamente a vida de alguém. Desde quando eu consegui apenas encontrar uma forma de pensar que fez toda a diferença pra ela naquele dia, até quando alguém começa efetivamente a mudar sua vida motivado pelas nossas conversas. E cada pessoa que encontro nesse caminho me impacta muito também, pois aprendo com as suas experiências e a sua forma de pensar.
É uma honra compartilhar cada história, as dificuldades de cada um, e principalmente ajudar pessoas a terem coragem para buscar os seus sonhos.