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Como eu fiz para desacelerar

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Sócrates já dizia: “Cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais.”

Digamos que esse post foi feito bem devagar, porque foi resultado de uma busca minha (que ainda continua) ao longo dos últimos dois anos. E ela sempre continua, seja por conta da pressão do meio externo ou porque eu tenho uma tendência a me acelerar sozinha, sem perceber.

Acho importante dizer que moro em São Paulo, então você deve estar pensando agora que esse é realmente um desafio – e tem razão! Além disso eu trabalhei em uma consultoria estratégica por 7 anos e esse é um ramo onde é normal trabalhar muitas horas diárias e finais-de-semana. Até que chegou um ponto que meu corpo começou a reclamar, eu que nunca fui de ficar muito doente de repente comecei a ter várias doenças, de labirintite a pneumonia, algumas ao mesmo tempo, e crises de ansiedade em uma base diária. Então pensei, uau, eu só tenho 33 anos, se eu continuar assim não vou viver até os 50! Me vi obrigada a desacelerar.

E eu não sou a única, segundo o professor Antônio Cândido:

 

“Tempo não é dinheiro.”

 

Se você tem vergonha de admitir isso porque acha que é coisa de preguiçoso, saiba que tem um movimento mundial de pessoas que também querem isso. O Movimento Slow começou na Itália em 1986, através do Movimento Slow Food, que era contra os valores e hábitos do fast food. Desde então e graças a Deus o conceito se expandiu para diversos outros aspectos da vida, como hábitos, cidades, consumo, saúde, trabalho, relacionamentos, vida familiar, e por aí vai. Basicamente a ideia é que a gente pare de valorizar essa cultura doida da velocidade em que vivemos, a cultura da forçação de barra, em que tudo é pra ontem mesmo que não seja, quem é ocupado que é importante, a gente não consegue mais esperar por nada, quem faz algo mais devagar é desvalorizado e a gente nem para pra pensar em mais nada, e dê lugar ao ritmo natural de cada um e da vida, ao equilíbrio, ao pensado, ao bem-feito, ao cuidado e à qualidade. Aliás, por que estamos com pressa agora mesmo – ou vai dizer que aí dentro você não está com aquela sensação de pressa?

Seu defensor mais conhecido é Carl Honoré, que esteve em São Paulo em uma palestra sobre o tema na Aliança Francesa em abril. Seu livro Devagar virou a bíblia do Movimento e ele nos lembra que

 

“Viver com pressa não é realmente viver, é apenas sobreviver.”

 

Eu e a maior parte das pessoas quando eu falo no Movimento Slow pela primeira vez acham graça, porque a ideia de ter um movimento para falar disso parece de fato inusitada. Mas a verdade é que se fosse tão simples já teríamos feito. Talvez inusitado seja o fato de que

 

A gente valoriza as pessoas que não têm tempo e não damos valor para aquelas que dão atenção.

 

Ou ainda o fato de haver tanta gente abdicando da saúde para ganhar cada vez mais dinheiro, mas isso a gente acha normal.

E por falar no mundo do trabalho, ele é o principal responsável por nos programar para ter um ritmo tão acelerado. Quando trabalhava no mundo corporativo, em muitas situações ficava me perguntando por que tanta pressa. Por que não pode ser pra amanhã, ou depois? Que diferença faz? Ou vai dizer que você nunca teve que gerar aquela entrega pra ontem que não precisava ser para ontem? Se pararmos para pensar, acho que a maioria das nossas entregas no trabalho não precisavam ser tão urgentes, podiam esperar mais um dia ou uma semana.

Isso me faz pensar até que ponto nossa pressa é uma necessidade ou uma escolha nossa. Não só no trabalho, mas em tudo na vida. Eu pelo menos me pego correndo com coisas que de repente eu paro pra pensar e ops… por que eu to correndo com isso mesmo? Tem um tigre na minha frente pra me morder?

Acho muito interessante a análise de Tim Ferriss, escritor americano, associando esse excesso de velocidade à preguiça:

 

“Desacelere e lembre disso: a maioria das coisas não faz diferença. Ocupar-se muito é uma forma de preguiça – preguiça de pensamento que gera ações descuidadas.”

 

Sendo a pressa uma escolha nossa, eu escolho desacelerar. Desacelerar não é ser lerdo, é escolher quando ir rápido e quando ir devagar. É raciocinar sobre a velocidade que estamos imprimindo às nossas atividades e à nossa vida. Quero ter mais tempo para cuidar de mim, levar a vida de forma mais equilibrada, estar presente em cada momento, parar de sacrificar amizades porque não as vejo, apreciar os pequenos momentos da vida e até mesmo pra trabalhar melhor, fazendo qualquer coisa bem feito. Afinal, produzir muito não significa produzir bem. As coisas mais belas da vida acontecem devagar.

Mas eu sou uma pessoa muito prática. Sempre quero saber afinal como colocar as coisas em prática, sempre quero o passo-a-passo, saber o que quem conseguiu fez para poder avaliar como aplicar aquilo pra mim. Então não poderia terminar esse post sem falar: o que afinal eu fiz para desacelerar? Como esse é um trabalho in progress, tem ações que eu já faço…

  • Criar um trabalho mais tranquilo: Os fatos que contei no início desse post aconteceram cerca de um ano depois que comecei a repensar minha carreira (história que eu conto em outro post: Como eu percebi que estava na hora de repensar minha carreira), então já estava me programando para fazer minha transição e esses eventos só aceleraram o processo.
  • Trocar dirigir por caminhar: Isso não é tão difícil pra mim porque detesto dirigir, acho uma perda de tempo e de energia incríveis – segundo o Estadão, um paulistano passa em média 45 dias do ano dirigindo. Por outro lado adoro caminhar, sou capaz de sair de casa só pra caminhar e observar as ruas perto da minha casa – e olha que moro em Perdizes, um bairro de São Paulo que basicamente não tem nenhuma rua que não seja ladeira. Então eu tento fazer tudo perto da minha casa ou a uma distância que possa ir só de metrô.
  • Se mudar para perto do trabalho: Na verdade eu trouxe meu trabalho para perto de mim, o que era possível já que em minha nova carreira virei autônoma. Mas como sei que isso não é possível para a grande maioria das pessoas, sugiro avaliar se mudar para perto do trabalho se isso for viável.
  • Ficar offline por um dia por semana: Passar um dia com pessoas, livros, parques, buscar intencionalmente atividades que não me dêem vontade de ficar no celular.
  • Fazer uma coisa de cada vez: Eu sempre achei muito chato ficar no celular enquanto estava almoçando com meus colegas de trabalho, mas embora eu não fizesse isso, nunca os culpei porque percebo que nossa tendência é fazer várias coisas ao mesmo tempo sem perceber. O que tenho feito é expandir essa sensibilidade para outros momentos da minha vida.
  • Trocar digitar por escrever: Comprei caderninhos para escrever. Tenho um caderninho para cada cliente no meu trabalho de coaching e um para levar na bolsa e anotar quaisquer ideias que tenho de repente no meio da rua, fazer listas, anotar frases de livros, desenhar esquemas para workshops, e até escrever posts do blog!
  • Ler mais livros: Tento ler uma hora por dia todos os dias da semana, coisa que AMO fazer!
  • Cuidar de uma planta: Vindo de alguém que todas as plantinhas que teve até 6 meses atrás haviam morrido sem água ou com excesso de água, isso é um grande passo!
  • Fazer as refeições na mesa de jantar: Antes quando estava em casa, fazia absolutamente todas as refeições na bancada da cozinha americana ou no sofá mesmo assistindo TV ou até trabalhando, agora tento comer sempre na mesa de jantar. E faço isso mesmo que esteja sozinha em casa. Isso parece bobagem para muitas pessoas, mas percebi que reduzo minha tendência a fazer outras coisas enquanto me alimento se fizer isso na mesa de jantar.
  • Não tomar decisões por impulso: Sempre que possível não tomo decisões importantes de repente, percebo que não costumo ser bem-sucedida em minhas decisões por impulso. Tento sempre esperar uma boa noite de sono. E faço isso até para algumas decisões que não são tão importantes, como comprar uma roupa. Se eu vejo algo que gosto e tenho vontade de comprar, vou embora, espero o dia seguinte, e se eu ainda lembrar que aquela roupa existe e ainda tiver a mesma vontade de comprar, eu volto lá e compro.
  • Colecionar momentos, não coisas: Quanto tempo meu custa cada coisa que eu compro? Como valorizo muito o meu tempo, quando comecei e pensar nisso deixei de ter vontade de comprar muitas coisas. Sobre isso recomendo um documentário muito legal no Netflix, chamado Minimalism.
  • Reduzir o ritmo de trabalho e de consumo: Grande parte de minha agitação vem de um estado de ansiedade devido a necessidade de acumular coisas. Mas para ter cada vez mais coisas precisava trabalhar cada vez mais. Estou tentando reduzir essa cobrança reduzindo o ritmo de consumo para que possa reduzir o ritmo de trabalho também.
  • Fazer atividade física: Mas tive que achar uma (na verdade, duas) que eu realmente gostasse, porque academia de ginástica não é muito a minha cara. Hoje faço krav maga e corro meia maratona. Devagar, mas corro. rs Por incrível que pareça a atividade física me desestressa e faz com que eu fique mais relaxada. Já tiveram situações em que eu estava muito agitada ou estressada e resolvi correr ou treinar fora de horário só pra me acalmar.

… e ações que ainda estou tentando fazer:

  • Simplesmente fazer as coisas mais devagar, parando para pensar naquilo que estou fazendo: Como já disse antes, minha cabeça muito agitada fica pensando em dez coisas que preciso fazer enquanto estou fazendo outra, então esse ainda é um desafio pra mim.
  • Aprender a meditar: Isso tem a ver com o item anterior, estou tentando aumentar minha presença no momento atual aumentando meu nível de consciência do aqui e agora, usando para isso técnicas de mindfullness que é um tipo de meditação.

 

E você, o que vai fazer a partir de hoje (sim, hoje!) para desacelerar?

 

“A vida está acontecendo aqui e agora. E apenas ao se acalmar você poderá vive-la ao máximo.”

Gustavo Ranieri para Vida Simples

 

Se você quiser migrar para um trabalho que te permita uma vida mais tranquila, posso te ajudar nisso. Sou coach de carreira e ajudo pessoas a encontrarem e migrarem para um trabalho mais alinhado com seus valores. Você pode conhecer melhor meu trabalho pelo meu site e pela página no Facebook.