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Como definir um objetivo de carreira — e alcança-lo!

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Fiz esse post porque algumas pessoas me escreveram através do meu site e da página no Facebook, pedindo que eu falasse sobre como definir um objetivo de carreira e como correr atrás dele. Então vou compartilhar aqui o processo que eu sigo com meus coachees no encontro em que vamos definir seus objetivos de carreira.

Antes de começar, é importante eu te dizer que nos processos de coaching, antes disso fazemos toda uma investigação que embasa essa decisão da escolha do objetivo, que pode conter um entendimento do que a pessoa já tem ou precisa desenvolver em termos de conhecimentos, competências, habilidades e experiências para buscar esse objetivo. Se estivermos falando de uma decisão por qual carreira seguir, essa investigação contem ainda a tomada de consciência da pessoa em relação a quais são os seus valores, necessidades, recursos que ela tem para ir atrás desse objetivo, habilidades, gostos e sonhos que ela carrega consigo.

Dito isso, mãos à obra!

Objetivo é o que você quer atingir efetivamente, aonde você quer chegar. Quando falamos de definir um objetivo de carreira, digamos que você não sabe o que gostaria de fazer na carreira, então pode pensar no que já tem de conhecimento e experiências que poderia utilizar para construir algo que dá dinheiro, e decidir para qual área seguir a partir daí.

Quando definir o seu objetivo, antes de sair fazendo qualquer coisa é importante você ter certeza de que quer realiza-lo de verdade e de que só depende de você pra ele se concretizar. Você pode fazer isso se fazendo algumas perguntas:

O objetivo foi formulado com base no que você quer? Isso significa que ele tem que ser positivo, não pode ser negativo do tipo “eu não quero X”.

O objetivo está 100% na sua mão? Não adianta se definir objetivos que as ações para alcança-lo tenham que ser executadas por outras pessoas. Sabe quando na empresa o seu chefe fica te dando tarefas que dependem de um monte de gente além de você? Não é super difícil pra conseguir entregar? É isso.

É autoiniciado? Traduzindo: é você ou no fundo é outra pessoa que quer? Por exemplo, muitos de nós escolhemos nossas carreiras influenciados por nossos pais, seja por pressão familiar para ter uma profissão decente, facilidade para se colocar no mercado através dos contatos da família, e por aí vai. Essa ‘outra pessoa’ nesse caso também pode ser o mercado, quando escolhemos uma profissão apenas porque dá dinheiro.

Se eu atingir esse objetivo, estarei fazendo algo em que acredito? Aumentarei as chances de poder ser mais ‘eu mesma’ no meu trabalho? Terei mais daquilo que eu quero para a minha vida? Aumentarei as chances de me libertar daquilo que não quero para a minha vida?

Após definir o objetivo, precisamos estipular uma meta para ele. A meta é um número que, quando atingirmos, saberemos que conseguimos nosso objetivo. Para isso, deve ser composta por quantidade e prazo. Por exemplo, a sua meta pode ser conseguir 12 clientes em 6 meses para o seu novo negócio.

Quando a meta é muito distante, é importante estabelecer metas intermediárias para não perder o foco, não acabar simplesmente esquecendo da meta, e para não desanimar com ter que fazer algo tão grande. No exemplo acima, uma meta intermediária poderia ser conseguir 2 clientes por mês.

Já temos objetivo e meta. Agora é hora de fazer o que chamamos de verificação ecológica, que consiste em olhar para suas decisões de maneira saudável, avaliando o impacto delas em todas as áreas da sua vida. A verificação ecológica é importante porque, quando promovemos mudanças em uma área às custas de outra, é provável que a mudança não dure muito. Além disso, a definição de objetivos precisa levar em conta o que a pessoa inteira quer, e não apenas a parte que está dominando neste momento. Afinal, queremos que você saia daqui em um lugar melhor, e não pior, do que onde começou. E como fazer isso?

Nos processos de coaching eu convido a pessoa a se fazer algumas perguntas, para cada área da sua vida:

Quais são os prós de eu buscar esse objetivo?

Quais são os contras de eu buscar esse objetivo?

O que eu aguento perder para buscar esse objetivo?

O que eu não aguento perder por esse objetivo?

Qual o impacto nas pessoas de eu buscar esse objetivo?

Quem o julgamento me incomoda? Eu quero dar a eles esse poder?

Após ela responder, juntos nós checamos se ela levou em consideração todas as áreas da sua vida, que eu divido em: Lazer, Finanças, Profissional, Intelectual, Íntima (você consigo mesma), Espiritual, Física (saúde e aparência), Família e Relacionamentos Sociais.

E agora? O objetivo se manteve intacto ou sofreu alteração?

Agora que lapidamos o objetivo, precisamos de um plano de ação para alcança-lo. O plano de ação é uma lista das ações concretas que vamos executar para alcançar nosso objetivo e quando vamos realizar cada uma, a fim de bater a nossa meta no prazo que definimos.

Quando queremos alguma coisa muitas vezes não sabemos muito bem o caminho das pedras, o que precisamos fazer efetivamente para chegar aonde queremos. Uma forma de buscar inspiração para fazer o plano é tentar identificar no seu convívio pessoas que conseguiram aquilo que você quer ou algo próximo disso, e mapear o passo a passo que elas adotaram para conseguir. Pode ser que você já saiba esse passo a passo, senão que tal chama-la para um café, contar o seu plano e perguntar como ela fez para chegar lá?

Outra forma de se conseguir inspiração para estruturar o plano é tentar lembrar se teve alguma situação do passado que você já precisou fazer algo semelhante, e no que você fez na prática para conseguir isso. Por exemplo, se você quer passar em um concurso público, quando foi no passado que você teve um objetivo parecido? Quando fez vestibular, talvez? E o que você fez para conseguir?

Se não tiver um exemplo seu nem de pessoas próximas, você pode ainda se colocar no futuro. Tente pensar como se você já tivesse conseguido o que quer, e ‘lembrar-se’ do que fez para chegar lá. Confesso que essa estratégia não funciona muito bem comigo, mas por incrível que pareça (pelo menos pra mim) dá super certo com muita gente! rs

Às vezes me deparo com pessoas que não dão muito valor para o plano de ação, seja porque já tem uma ação na cabeça e acham que só precisam dela para fazer acontecer ou porque simplesmente têm preguiça de pensar nisso, acham excesso de organização. Se você for uma dessas pessoas, lembre-se que o sucesso não está no objetivo final, está no caminho – ele é apenas consequência. E o caminho que você vai percorrer é fruto do seu plano.

Agora vamos à elaboração do plano propriamente dito. Como disse antes, o plano nada mais é do que uma lista do que você vai fazer para correr atrás do seu objetivo. Pesquisando na internet você vai encontrar dezenas de padrões de plano de ação com níveis de complexidade bastante diferentes, mas para o nosso caso aqui eu acredito em um plano com 3 colunas: Ação / Lifeline / Status (já fiz, estou fazendo ou nem comecei).

Ação é o que você vai fazer efetivamente. Garanta que TODAS as ações dessa lista podem ser realizadas inteiramente por você. Se precisa que outra pessoa faça algo, não adianta colocar na ação “Pagar o cursinho” se o seu pai não souber que você conta com isso e se você não souber se ele pode ajudar. Então escreva na ação “Pedir ajuda do meu pai para ele pagar o cursinho”.

Lifeline é o que as empresas costumam chamar de deadline. O escritor Tal Ben Shahar (professor de Psicologia Positiva em Harvard) diz que quando estamos fazendo algo que realmente queremos fazer, nossos prazos são lifelines e não deadlines, porque ele entende que quando estamos fazendo algo que produz benefícios presentes e futuros, estamos a dar vida e não a matar o tempo. Pra mim fez todo sentido, então roubei o termo que ele criou para o nosso plano de ação.

A coluna de Status é a que você vai ficar atualizando toda semana com o andamento das ações.

Garanta que seu plano contenha recompensas para as pequenas vitórias, quem sabe no atingimento das metas intermediárias? Charles Duhigg (O poder do hábito) descobriu que todo hábito segue um ciclo padrão: esse ciclo sempre começa com uma deixa, ou seja, um gatilho que desperta a a rotina daquele hábito em particular. Essa rotina gera alguma recompensa que faz que com continuemos nesse ciclo tornando esse hábito cada vez mais presente no nosso comportamento diário. Assim, por exemplo, se toda vez que saímos de um dia de trabalho intenso e cansativo, resolvemos comer um chocolate para compensar o bom trabalho que fizemos e isso nos gera uma recompensa positiva, é provável que a gente passe a repetir isso até se tornar um hábito que, antes uma escolha consciente, já passa a ser um comportamento automático. Então, qual é a recompensa que você verá na execução do seu plano?

É importante não perder o embalo um só dia, senão a gente amolece e desiste – é igual academia de ginástica, se você deixa de ir um dia logo no começo, a chance de começar a não ir cada vez mais até desistir é grande. Seu plano tem ações para serem iniciadas amanhã mesmo? Então coloque uma já!

Outras coisas importantes que seu plano deve conter:

O que você precisa desenvolver em si mesmo para alcançar este objetivo (comportamentos / habilidades / conhecimentos / experiências)? Como buscar isso?

Como vou me certificar que coloquei o plano em prática? Como vou lembrar das ações que tenho que fazer? Aqui estamos falando de coisas bem simples, no meu caso é manter uma lista em um post it na área de trabalho do meu computador.

O que vou pensar ou fazer para me motivar? Pelo amor de Deus não pule essa pergunta! Muitas vezes não temos o apoio de ninguém para buscar o nosso objetivo, isso é comum quando queremos empreender por exemplo. Então é importante ter consciência de que vamos precisar nos automotivar e pensar em como podemos fazer isso.

Para cada ação do plano, pense se essa é a melhor ou a única forma de fazer isso, ou existem outras formas de fazer isso que poderiam ser ainda melhores? Aqui vale voltar na verificação ecológica e pensar em como reduzir ou eliminar os impactos que o seu objetivo pode causar nas várias áreas da sua vida.

Como posso tornar isso mais divertido / mais simples / mais tranquilo? Essas reflexões são importantes para tentar não se pressionar tanto, porque senão daqui a pouco você está no mesmo estado de stress em que estava antes de começar sua busca e não consegue curtir o processo.

Faça também um plano de não ação. Hein? Calma, vou explicar. rs Aqui é o que eu vou deixar de fazer para alcançar esse objetivo? Se o seu objetivo é mudar para a área de educação física, talvez não faça mais sentido continuar aquele MBA em Finanças e você deva trancá-lo para ter mais tempo pra se dedicar à nova área. Não se esqueça que a não ação também deve ter um prazo: até quando vou deixar de fazer isso para conseguir meu objetivo?

Pense nas pessoas que são importantes pra você. Não adianta nada você brigar com todo mundo porque está estressado estudando pra um concurso e ter que comemorar sozinho quando finalmente passar. Quais são as minhas principais necessidades de apoio? Como vou buscar esse apoio? Quem serão os maiores impactados pela minha transição? Como posso reduzir o impacto negativo?

Está acabando! Pra finalizar, vamos fazer um plano de contingência. Vou explicar como se faz isso.

Leia tudo o que você listou no seu plano. De 1 a 10, o quanto você se sente pronto para tirar esse plano do papel? E o que falta para ser 10? Esses são os obstáculos que você terá de enfrentar. Provavelmente surgirão outros ainda no meio do caminho, mas esses são os que você consegue antecipar. Outra forma de antecipar obstáculos é mostrar o seu plano para algumas pessoas que você confia e perguntar que dificuldades elas vêem para coloca-lo em prática. Para cada um desses obstáculos, reflita: O que posso fazer para reduzir o risco de esse problema ocorrer? O que posso fazer para ultrapassar esse problema caso ele ocorra?

Sei que parece complicado, mas é só nas primeiras vezes. Com o tempo você grava o processo faz um plano rapidinho, consultores fazem um plano completo em poucas horas. E estou falando de um plano para um objetivo complexo de carreira, como uma mudança de carreira ou um analista virar gerente em dois anos. Decisões do dia a dia não precisam de planos assim.

Pra te ajudar, fiz um esquema resumindo tudo:

Pronto! Você tem um objetivo e um plano de ação para alcança-lo! E mais do que isso, tem um norte, um caminho a seguir que faz sentido, que te coloca como protagonista da própria história, que não vai te deixar ir aonde o vento leva. Parece um motivo bastante justo pra ter esse trabalho, não?

E se precisar de ajuda nessa jornada, conte comigo! Você pode me encontrar pelo meu site ou pela página no Facebook.